Audax 400, Curitiba – Março de 2014 – Relato

Olá pessoal!

Desta vez, um post sobre uma prova que não terminou nada bem, para ninguém! A prova com o final mais triste das que participei.

No dia 15/03/2014, ocorreu a prova de 400km, modalidade AUDAX Randonneur, com largada em Curtiba-PR. O percurso deve ser coberto em no máximo 27h, e a largada foi às 05:00h junto a Associação Viking Volvo, do lado da Volvo em Curitiba.

O trajeto escolhido foi:

  • Curitiba, São Luiz do Purunã, Lapa, Campo do Tenente, Três Barras, São Mateus do Sul, Palmeira, Curitiba.

Neste link você baixa a carta de rota, com mais detalhes sobre o trajeto e perfil altimetrico.

Neste link você encontra meus relatos de outras provas de longa distância.

E neste link, você confere no mapa todo o percurso da prova, pelo site ridewithgps.

Antes de começar o relato propriamente dito, um pouco de meus números no evento:

  • Tempo total de prova: 19h:30m;
  • Distancia percorrida: 326km;
  • Velocidade média: 16,71km/h;
  • Velocidade máxima: 65km/h;
  • Pneus furados: 0 (zero)

E os itens que usei nesta prova (quase o mesmo de sempre):

Anteciparei aqui, diferentemente das outras vezes, meus agradecimentos às empresas que me apoiam: Curtlo e Tutto Bike! Contar com o apoio de vocês torna as coisas um pouco menos duras. São empresas que estão apoiando pequenas iniciativas, e apostando nas mais simples sementes, por isto tem meu reconhecimento, respeito e agradecimentos!

Agradeço ainda à minha esposa, que me dá forças, e a todos os amigos que fazem parte disto (em especial: Raphael Haro, Paulo Guedes e Jota Ciclo).

Transporte e hospedagem

Saindo de São Bernardo do Campo-SP, fui de ônibus pela Viação Cometa, que prometeu não haver problema algum para embarcar com a bicicleta embalada. Cheguei no terminal rodoviário Tietê e me reuní ao amigo Paulo Guedes, que também participaria da prova.

Na hora do embarque propriamente dito, o responsável pela arrumação das bagagens questionou um bocado de coisas, disse que nós iriamos despachar as bikes sim, mas pediu uma gorgeta/caixinha/colaboração. (eu me recusei a colaborar, o Paulo preferiu fazer diferente, pessoas diferentes fazem as coisas de formas distintas, rsrs).

Após 6 horas de viagem, lá estavamos nós, em Curitiba-PR. O Paulo foi para um hotel, eu ficaria hospedado com um amigo que mora por lá, o fabricante de sapatilhas para escalada Marcos Piffer.

Briefing, Largada, PC1 em São Luiz do Purunã-PR (44km)

O horário para início do Briefing era 04:30h, a largada ocorreu às 05:00h, e eu, que errei um pouquinho do caminho para chegar até lá (rodei uns 10km a mais) acabei me atrasando, de forma que cheguei somente às 04:50h, ao menos era tempo ainda para dar largada sem atraso. (me lembro também que fiz um café da manhã mais simples que o usual em dia de prova de longa distância)

O Paulo não apareceu, e eu não consegui contacto telefônico com ele, nem via mensagem de celular (só fui saber muito depois e sua epopeia com o despertador e o “desespero” para chegar no local de largada e encontrar alguém da organização ainda…)

Dei largada com todo o restante da turma, todo mundo muito motivado, mas preocupado com o que estaria ocorrendo com o Paulo… Foi neste primeiro trecho da prova, com 45km até o PC1, que conheci o Egon, rodamos um pouco juntos à frente da maioria do grupo por algum tempo, quando ele me perguntou: “será que não estamos rodando forte demais?”, ao que eu queria responder: “confesso que estou fazendo bastante força para permanecer atrás de ti”, rsrsrs.

Cheguei ao PC1 (Posto e Restaurante Sprea) em São Luiz do Purunã-PR por volta das 06:52h, registrado em cupom fiscal emitido pelo estabelecimento. Comi um pão na chapa, acho que bebi alguma coisa (talvez leite com café), fui ao banheiro, comprei um pacotinho de amendoim salgado, vesti meu maravilhoso Boné Expedition, a fim de garantir melhor proteção contra o sol que já havia nascido, e parti no encalço de alguns ciclistas que estavam partindo também.

PC1 ao PC2, São Luiz do Purunã~Campo do Tenente-PR (91km)

Eu havia saído apenas uns 5 segundos atrás dos primeiros ciclistas que vi partindo do PC1, e por incrível que pareça, não consegui encostar neles, ainda que tenha me esforçado um bocado. Eu começava a pensar que tinha alguma coisa errada acontecendo comigo… Pensava coisas do tipo:

“Será que estou num dia ruim?; Será que estou com as pernas fracas?; Será por conta dos pneus mais largos, 700 x 28c, ao passo que só havia utilizado 700 x 25 e 700 x 23 em longas distancias até então?; Será reflexo inconsciente de minha preocupação com a ausencia do Paulo?”

Bom, eu vi que um segundo grupo de ciclistas estava se aproximando, então decidi que poderia encostar nestes e seguir junto, mantendo-me afastado da solidão por algum tempo pelo menos… Mas eles passaram e eu novamente não consegui me conectar no grupo. Logo depois, passava um rapaz e uma moça, a Rafaela de Florianópolis-SC, que somente consegui acompanhar fazendo muita força até conectar-me “nas rodas” destes.

Uma vez conectado, segui com eles, que acabaram conectando-nos àquele segundo grupo. Minha alegria não durou muito, foi até o primeiro grande cambio de direção, curva à esquerda sentido Porto Amazonas e Lapa, aos 60,5 km de prova. Neste ponto, eu sentia que o grupo acelerava e relaxava, acelerava e relaxava, não mantinha (naquele trecho) um ritmo pleno e constante, e EU não era capaz de resistir neste passo. Sobrou apenas a terrível escolha: Seguir adiante na solidão (eu sabia naquele ponto, erradamente, que era o ultimo ciclista da fila); E tentava me convencer do improvável: Se eu seguir em ritmo constante, os encontrarei logo que chegar no PC2.

Um pouco depois recebi SMS do Paulo, explicando que realmente não dera largada e que já estava à caminho da Rodoviária… Me saia das costas uma preocupação e entrava na cabeça um ar de tristeza por saber que não o encontraria em trecho algum agora.

O sol começava a ficar mais forte, parei em Lapa-PR a fim de comprar uma bebida em uma mercearia à beira da pista, e depois parei num posto da Polícia Rodoviária Federal, a fim de reabastecer a caramanhola de água. Era o momento de aplicar protetor solar, o astro rei já avisava isto com clareza! Eu me sentia atrasado e coloquei-me em pressa, optei por aplicar protetor solar somente ao chegar no próximo PC, que não estava tão longe (é sempre assim, não está muito longe, daqui a pouco eu resolvo isto…).

Cheguei ao PC2, Posto José Luiz, em Campo do Tenente-PR já na BR116, por volta das 11:26h, registrado em cupom fiscal emitido pelo estabelecimento.

Alí bebi um Gatorade, abasteci a caramanhola de água, fiz um almoço (bem mais fraco que o usual, na falta de opções), e quando me preparava para uma ducha e protetor solar antes de partir, chegou um outro ciclista que participava da prova! Eu o cumprimentei, joguei algumas palavras de incentivo e perguntei se ele iria demorar ou se seria parada rápida, pois no segundo caso poderiamos sair juntos. Ele iria se demorar um pouco, então eu fui para a ducha, protetor solar, e parti!

PC2 ao PC3, Campo do Tenente-PR~Tres Barras-SC (44km)

Agora seguiria pela Regis Bitencourt, a paisagem começava a chamar mais a atenção e a distancia para o próximo PC era de 44km. Eu pensei em louco devaneio: “Não sendo este, sabidamente, um trecho duro no que tange a altimetria ou condições do asfalto, talvez consiga manter uma média de 22km/h, o que me leva ao próximo PC em apenas 2h. Vou chegar lá por volta das 13:30h, quem sabe”.

Doce ilusão, só cheguei lá às 14:45h e alí me demorei aproximadamente 30min. Bebi água mineral, um Gatorade, comi alguma coisa que levava na mochila (aliás, uma mochilinha que caiu do céu, muito prática e confortável, a Trail Lite da Curtlo), abasteci a caramanhola de água, lavei as pernas e o rosto para re-aplicação do protetor solar, vi o tempo/céu começando a se fechar, prenuncio de chuva, e parti!

Até chegar aqui, passei por rios, atravessei pontes, vi paisagens belas, escutei o assustador barulho de um acidente de automóvel há uma ou duas curvas atrás de mim, passei por trechos em obras que me reduziram um pouco a velocidade, esqueci da solidão e não pensei em falha ou desistencia.

PC3 ao PC4, Tres Barras-SC~São Mateus do Sul-PR (71km)

Este trecho poderia ser bem mais fácil do que me saiu, era bem mais plano do que os outros trechos, mas neste eu via as subidas, curioso! Eram 71km, eu sabia que seria bem mais sofrido que o trecho imediatamente anterior, com apenas 44km, mas se tinha de fazer não importava o quão duro poderia ser ou não… Eu só tinha que pedalar e resistir.

Tinha uma doce ilusão de que talvez, quem sabe, se as conspirações do universo estivessem a meu favor, poderia num cenário otimista chegar ao próximo PC na ultima luz do dia. Quanta ilusão, cheguei lá às 19:40h, para só então me lembrar de que agora viria o trecho mais duro da prova, entre PC4 e PC5, e que meu tempo embora não fosse tão ruim não era também nada digamos assim: Bom.

Em algum ponto deste trecho, uma chuva rápida deu o ar da graça e eu tive de parar para vestir a jaqueta impermeável que me fez optar por levar uma mochilinha nesta prova! Eu parei num lugar tão bem abrigado (um ponto de onibus com cobertura), que acabei me demorando um pouco mais, visto que a chuva parecia diminuir… De fato ela praticamente cessou, e quando eu resolvi partir dalí já não havia muito ar de chuva, só a pista um pouco molhada.

Um pouco mais à frente parei em uma panificadora para tirar a jaqueta e guardar na mochila, e claro, comer e beber algo. Comi um pão com queijo e ovo, e o inusitado: coca-cola! É, eu bebi isto!; Ao partir uma vez mais, começou a garoar e tive de parar novamente para vestir a bendita jaqueta impermeável; e um pouco mais à frente, agora sim nas ultimas luzes do dia, vi adiante o ciclista que havia encontrado no PC2, aquele que era o ultimo da fila lembra?

Segui um pouquinho com ele, tentando inflar-nos de animo, tentando entrar na energia dele ou trazê-lo para mais perto da minha, mas nosso passo era diferente de mais, embora não fosse muito diferente a média! Em algum ponto eu acabei seguindo na frente e ele seguiu um pouco atrás.

Cheguei em São Mateus do Sul às 19:40h, parei na panificadora Gelinski a fim de comprar água e talvez comer algo, antes de parar no Posto Guapo, o PC4 propriamente dito. Também parei numa farmácia para confirmar se estava na rua certa, e aproveitei para me pesar. Dos 58~59kg que pesava quando dei largada, só tinha agora 56,5!

Chegando no PC4 quem encontro? O rapaz que agora pouco havia ficado para tras. Eu não disse que a média não era muito diferente?

Registrei passagem pelo PC, fui ao banheiro, lavei os joelhos, passei uma pomada anti-inflamatória nestes, ingeri uma capsula de cafeína, e parti bastante animado rumo ao PC5, ciente de que era o trecho mais duro e que eu não tinha reservas de tempo para fazer o trecho com uma média de velocidade muito baixa. Eu teria que fazer este trecho de forma rápida, eficiente, se quisesse pegar o PC5 aberto/em tempo hábil para prosseguir na prova.

PC4 ao PC5, São Mateus do Sul-PR~Palmeira-PR (76km)

Posto Bordignon, PC5, esta era a meta da vez, o grande objetivo! Nem pensava na linha de chegada ou no próximo trecho a ser encarado após o PC5. Tinha na cabeça que eu só precisava vencer este trecho e nada mais, o resto seria conversa para depois. Tentava me convencer de que este trecho não me sairia dificil porque prevaleciam as subidas, e as amo!

A capsula de cafeína funcionava perfeitamente (olhando um lado da moeda): Eu não sofria com o sono que a esta altura já estaria me reduzindo bastante o rendimento, eu começava muito bem o trecho, fazendo as primeiras grandes subidas em uma média baixa, mas que me agradava, me fazia tranquilo de que conseguiria galgar o objetivo. Por outro lado, alguns bons kilômetros a frente, podia sentir o coração muito acelerado, um dos efeitos da cafeína.

Não foi muito depois de partir do PC4 que começo a sentir grande incomodo na região das nádegas. Pele, bermuda, creme anti-atrito, selim, calibragem dos pneus, o que será que não estava bem acertado? Este incômodo me acompanhou durante todo o percurso até o PC5 e não foi nada fácil lidar com ele.

Faltavam apenas 30km para chegar à meta, quando o rendimento caiu um bocado. Eu olhava para o ciclocomputador, memorizava a kilometragem rodada, e depois de pedar muito olhava de novo para ver se já tinha rodado um ou dois kilometros… Então vinha a decepção: não rodara nem sequer um km, eu devia estar muito lento neste trecho.

Havia deixado para trás o único posto de gasolina que encontraria aberto, onde comi uma batata-frita industrializada, bebi outra coca-cola, troquei a água da caramanhola, e entre tirar alí uma soneca ou no PC5, decidi que seria no PC5. Não me arrependo, mas me lembrei várias vezes durante o trecho, de que seria certamente o único lugar aberto que eu encontraria, rsrsrs.

Foi duríssima batalha vencer os ultimos 30km, mas quando vi a placa de Curitiba, que me levava direto ao posto Bordignon contornando à direita, acessando a BR277 e atravessando-a imediatamente, eu ganhei forças! Muita alegria e motivação invadiam meu corpo, minha cabeça, e povoavam meus pensamentos apenas com coisas positivas.

Era aproximadamente 00:30h, eu teria 07:30h para percorrer os ultimos 74km. Poderia me permitir até mesmo dormir meia hora, a final de contas, 74km em 07:00h chega a ser fácil, sabendo que a altimetria não chegava a ser dura. Começaria difícil e depois nos brindaria uma gigantesca “descida”…

O PC5, Posto Bordignon, Palmeira-PR

Até este ponto, havia rodado 326km, e pedalado por 19:30h. Cheguei no posto, já fechado e totalmente escuro, e vi acenando para mim a Rafaela e outro ciclista que estava com ela (me esqueci seu nome agora). Pensei imediatamente: “O que é que estes caras estão fazendo aqui ainda?“, ato contínuo, pensei ainda: “ou pararam para dormir um montão antes de seguir, ou desistiram da prova por algum problema mecânico, não estão com cara de quem quebrou“.

Cheguei até eles, nos cumprimentamos, e o rapaz me disse:
_ “Olha, temos umas notícias ruins!”

Ao que respondi, inocente:
_ “Ok, vamos às notícias ruins!”

O rapaz então disse:
_ “1 – A prova foi cancelada; 2 – Por conta do falecimento de um colega nosso, o Egon!”

Não vou me demorar muito nesta pauta, nem vamos fazer disto um tópico polêmico, eu só quero escrever aqui sobre isto, porque sei que me esqueceria todos os detalhes deste dia se não registrasse, e porque de qualquer maneira fazem parte das memórias deste dia.

Imediatamente eu também fiquei chocado, tive ansia de vômito e não havia mais qualquer clima para continuar girando. Dissipara-se como fumaça ao vento todo e qualquer traço daquele animo e motivação toda que me invadiam segundos atrás!

Egon Koerner Júnior, 55 anos, aquele ciclista com quem rodei parte do primeiro trecho desta prova, se lembram? Foi atropelado ou assassinado no acostamento da BR277, próximo ao Km143 da rodovia, sentido Curitiba, por volta das 22:00h.

O condutor do veículo ou criminoso, ou o que seja, preso em flagrante, dirigia alcoolizado (e eu o ví pessoalmente um pouco mais tarde, junto ao pessoal da PRF na cena do sinistro), não tinha carta de habilitação SIC, e a perícia aponta que estava em velocidade um bocado acima do permitido.

Amigo Egon, esteja em paz!

A prova estava terminada, cancelada, ganhei carona até Curitiba (sou muito grato pela ajuda amigos), e no dia seguinte encarei as 6h de ônibus até São Paulo-SP, e um metrô até a estação Jabaquara, onde minha esposa foi para me buscar de carro.

Peço desculpas por não saber a melhor forma de encerrar o texto.

Um grande e fraternal abraço à todos;

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Audax 300, Boituva – Fevereiro de 2014 – Relato

Olá pessoal!

No dia 15/02/2014, sábado retrasado, foi realizada a prova de ciclismo de longa distância Audax 300, em Boituva-SP, a cidade dos ventos! Eu participei, me diverti bastante, e voltei de lá com mais um brevet 300, válido pelo calendário 2014. Até agora estou somando no calendário vigente 02 brevets 200 e 02 brevets 300, são 1000km rodados nestas provas.

O desafio a que me submeti seria percorrer 303,8km, saindo de Boituva, passando por Botucatu, e São Manuel, até uma certa altura da Rodovia onde teríamos percorrido um pouquinho mais de 150km, e então dar meia volta rumo Boituva novamente, quando completariamos os 303.8km rodados.

Neste post aqui, eu falei um pouquinho sobre como seria, por onde passariamos, e tal… Se tiver interesse vale a pena dar uma olhadinha.

Para baixar a carta de rota que usamos no dia do evento, e conhecer em detalhes o trecho, clique aqui.

Para visualizar o mapa da prova, no Bikely.com, clique aqui.

Para conferir os resultados finais da prova, clique aqui.

Transporte e hospedagem

Novamente fui de ônibus, saindo na vespera da prova, uma sexta-feira, em carro da empresa Vale do Tietê, saindo às 14:00h a partir do terminal Barra Funda. Desta forma teria tempo para chegar, fazer check-in no hotel (fiquei no Hotel Garrafão desta vez), comprar alguma coisa no mercado, sentir um pouco dos ares de Boituva, e preparar os ultimos acertos na bike, rodar um pouquinho com ela para conferir se não desregulou nada durante o transporte e tal…

Eu tenho gostado dos serviços prestados pela Vale do Tietê, transportam a bicicleta sem maiores perguntas e não tem ocorrido burocracia ou discussões com o pessoal para conseguir que transportem meus volumes. Continuo sentindo que usar Mala-Bike e Mala-Rodas ajuda bastante neste momento da jornada.

Quando cheguei no hotel, foi grata surpresa encontrar já um de meus companheiros de quarto, o Paulo Guedes, com quem, junto ao Leandro, dividiriamos um quarto triplo. Eu não conhecia o Leandro ainda, era uma incógnita para mim, mas foi 10! Caboclo divertido, bom companheiro. O Paulo já era conhecido, dividi quarto com ele na prova de 200km realizada em Holambra.

Gostei bastante do Hotel Garrafão, o quarto era bom, chuveiro muito bom, e em geral reinava um belo silencio, bem ao contrário do que eu imaginava… Café da manhã muito bom… Em fim, eu gostei, pronto.

Confraternização com amigos, jantar antes da prova. (foto: André Rufino)

Confraternização com amigos, jantar antes da prova. (foto: André Rufino)

Acordar, vistoria, café da manhã e largada

Em decisão conjunta com os colegas de quarto, acordamos que seria mais interessante passar pela vistoria no primeiro horário possível (05:30h da manhã), para então retornar ao Hotel (muito proximo) a fim de fazer o café da manhã (servido a partir das 06:00h), e então retornar ao ponto da largada, que seria realizada às 07:00h, para quem ia fazer a prova de 300km. Foi realizada paralelamente uma prova de 200km, com largada para as 07:15h, e o Leandro sairia nesta turma, ao passo que eu e o Paulo Guedes sairiamos na turma dos 300km.

Com a vistoria tudo bem, logo estavamos de volta ao Hotel fazendo nosso café da manhã junto com um bocado de outros colegas de prova. Eu terminei o café da manhã e subi ao quarto para vestir bermuda de ciclismo, camisa, o bom e velho boné Explorer por baixo do capacete, meias, sapatilha, em fim, colocar a fantasia de ciclista. Recordo-me de haver hidratado BEM no café da manhã já.

Ao partir para o ponto de largada, não fizemos todos juntos, porque os meninos parece que ainda tinham algo para arrumar, e já rolava uma corridinha contra o tempo para não nos atrasar para a largada.

  • Inusitado da vez: O Paulo viu 03 câmaras de ar que eu deixaria no hotel (eu havia levado 06 e decidi largar com apenas 03), junto com um par de espátulas que também me estava sobrando, e pensou que eu estaria me esquecendo destes itens, então qual não foi minha supresa quando ele alinhou comigo para a largada, perguntou se eu portava câmaras e espátula, e ao confirmar duas vezes comigo uma resposta sim, deu meia volta e eu não entendi nada… rsrsrs. Ele retornou para dizer ao Leandro que estava tudo certo, que não era itemesquecido não. O Leandro ficou esperando lá no Hotel, porque a largada dele seria um pouco depois mesmo… (Paulo, de qualquer maneira eu lhe agradeço o carinho e preocupação, eu não imaginava que poderiam parecer itens esquecidos, rsrsrs).

Realizei a largada meio ansioso porque o Paulo ainda não havia regressado, mas estava plenamente seguro de que me alcançaria em questão de minutos, o que realmente aconteceu, logo depois de entrarmos na Rodovia Castelo Branco.

Após a largada em Boituva, no extremo direito da foto.

Após a largada em Boituva, no extremo direito da foto.

Logo após a largada, no centrinho de Boituva e a caminho da Rod. Castelo Branco. Camisa laranja manga longa e colete verde.

Onde está o Wally? Logo depois da largada, ainda no centrinho de Boituva, a caminho da Rod. Castelo Branco.

Onde está o Wally? Logo depois da largada, ainda no centrinho de Boituva, a caminho da Rod. Castelo Branco.

Na Castelo Branco, um pouco depois da Largada, com Paulo Guedes no canto esquerdo da foto
Na Castelo Branco, um pouco depois da Largada, com Paulo Guedes no canto esquerdo da foto

Até o PC1 Posto RodoStar

Cheguei ao PC1 somente às 09h:38m, foram 02h:38m para percorrer 76km. Neste trecho, ajudei o Paulo a trocar uma câmara furada, de seu pneu traseiro.

Chegada ao PC1, no canto direito da foto, camisa laranja e colete verde. Nesta foto também se vê o Paulo Guedes.

Chegada ao PC1, no canto direito da foto, camisa laranja e colete verde. Nesta foto também se vê o Paulo Guedes.

Foi neste trecho também, por volta dos 15minutos de prova, que o amigo Hermes Finazzi sofreu um acidente nada trivial. Só fui saber que era o Hermes muito, mas muito tempo depois… As pessoas que me deram informações/nomes, davam conta de que o acidentado seria alguém de nome diferente (bem diferente…). Daria para levantar um monte de detalhes e pormenores, mas o lance é que o Hermes já está “bem”, em plena recuperação. Hermes, se estiver lendo isto, desejo força!!!

Até chegar ao PC1 foi apenas um sentimento estranho, depois de saber o que houve, que um colega de prova tivesse sofrido um acidente daqueles, não dava para ficar alegre com nada, mas decidi tocar em frente pois não me via como útil alí na cena do acidente. Eu e o Paulo tocamos para frente, e o Jota ficou para prestar auxílio (abandonou a prova em prol de um bem maior).

Escondido atrás do Fausto.

Escondido atrás do Fausto.

No PC1, me lembro de não demorar nada praticamente. Carimbar o passaporte, banheiro, hidratar-me, abastecer caramanhola d’água, comer algo rápido, e partir. O Paulo seguiu um pouco depois.

Até o PC2 Restaurante Brescience do Tchê

Após sair do PC1 fui alcançado pelo Paulo em questão de minutos, então tocamos juntos na intenção de subir a Serra de Botucatu sem maior demora… A questão é que ele estava com pernas boas, e eu com pernas ruins, rsrsrs. Ele fez a ascensão num ritmo bem abaixo do que faria se eu não estivesse alí, e de alguma forma me esperou no topo da subida, quando nos reunimos novamente e seguimos juntos.

Trechinho da Serra de Botucatu, por onde vamos subir na ida, e descer na volta.

Trechinho da Serra de Botucatu, por onde vamos subir na ida, e descer na volta.

Tinhamos em mente parar no restaurante Carrero, há 5 ou 7km antes do PC2, a fim de alí fazer nosso almoço, ao invés de o fazer no PC2, por conta de uma melhor estrutura neste primeiro ponto com relação ao segundo. E quase chegando lá estavamos pedalando com a Érica e acho que o Wilson Poletti. Foi um único trecho em que eu abri uma curva de distância, parei no Restaurante Carrero a fim de aguardar o Paulo e claro, almoçar, mas nada do Paulo ou da Érica, ou qualquer um parar alí… rsrsrs, seguiram direto para o PC2!

Não me recordo que trecho é este (foto: Roberta Godinho)

Não me recordo que trecho é este (foto: Roberta Godinho)

Me hidratei um bocado, fiz um prato bem colorido, rico em carbohidratos, mas tudo em muito pequenas porções. Bebi suco de limão se não me falha a memória, uma das poucas opções naturais oferecidas alí no dia, e não tardei muito em partir.

Há aproximadamente 1km para chegar no PC2, tive um pneu furado! Estava com câmaras reserva e todo o equipamento necessário para a substituição, então foi simples resolver isto e seguir em frente.

Cheguei ao PC2 às 13:39h, encontrei o Paulo já descansado e praticamente pronto para partir, não me demorei muito: Carimbar passaporte, hidratar-me, abastecer caramanhola d’água, comer algo rápido, lavar os joelhos para aplicar Calminex® e partir.

Até a chegada, Boituva Apart Hotel

Saímos do PC3 imediatamente depois do Wilson Poletti e do Rafael Hernandez (Rafael Leal da Silva), eu e o Paulo Guedes, fiel escudeiro! Me lembro de ter visto estes dois colegas poucos metros à nossa frente (ainda não os conhecia assim de girar juntos e tal…, não sabia ou sequer me lembrava seus nomes), mas me lembro de olhar para o Paulo e de este olhar para mim, ele entendeu o que eu quis dizer sem palavra alguma, e decidimos chegar junto aos novos amigos, a fim de unir forças. Eu imaginava que se conseguisse rodar com eles por pelo menos 30 minutos, já estaria lucro, tal era a fraqueza de minhas pernas ou de meu espírito!

Não me lembro da localização deste trecho também (foto: Roberta Godinho)

Não me lembro da localização deste trecho também (foto: Roberta Godinho)

Encostamos, um conhece o outro, começamos a conversar um pouco, e o ritmo era maravilhoso, só fazia bem para as pernas e para o estado de espírito. Eu pensava que poderia me deteriorar tentando seguir aquele ritmo, mas eu só crescia… O Paulo notou imediatamente minha melhora no estado de espírito e nas pernas, não perdeu tempo e já fez piada…

Eu não tinha condições de puxar o pelotão, segui muito na roda dos meninos, o Wilson fazia um trabalho quase heroico, e nos viamos subindo pequenas rampas a 28km/h, em algumas subidinhas me lembro de velocidades até superiores… Eu mal acreditava no que estava acontecendo, menos ainda quando pude ajudar puxando um pouquinho também, revezando com os meninos…

Rafael fica para traz, Wilson volta para buscá-lo, traz na roda, e logo estamos os 4 novamente juntos, fazendo piadas, conversando e o tempo passa rapidinho. Todo mundo num astral muito bom! Neste trecho, me lembro de haver parado para encher a caramanhola d’água (foi importante, porque me lembro de então ter água para oferecer a um amigo algum tempo depois, quando este precisava de um gole…)

Já chegando em Boituva meu ritmo se deteriorara (senti os primeiros sinais de sono), o Paulo me esperou (acho que por “solidariedade”), o Wilson e o Rafael mantiveram o ritmo e concluiram a prova 03 minutos antes.

Grande satisfação chegar ao ponto final de nossa jornada, o Boituva Apart Hotel, carimbar o passaporte, receber o certificado de conclusão do percurso e medalhinha, e partir para o Hotel onde estavamos hospedados, a fim de tomar um belo banho e dormir plenamente.

Agradecimentos

Agradeço novamente à minha esposa, por seu apoio e suporte dia após dia; Ao Paulo Guedes, que me ajudou muito a rodar durante toda a prova; E a todos os amigos que participaram disto comigo, direta ou indiretamente. Neste ponto, prefiro não fazer citação de nomes, porque me esqueceria de muitos…

Agradeço ainda às empresas que me apoiam: Curtlo e Tutto Bike!

Estas empresas estão me apoiando numa causa invisível, acreditando em iniciativas pequenas, que não trazem nem glória nem grande exposição. São peças-chave, fonte de grande apoio nestas minhas pequenas conquistas/realizações.

Equipamentos que utilizei

  • Trek 1.5, pedivela compacto (50-34) e cassette 27-12 (guidão em fibra de carbono para esta prova);
  • Mala-bike Curtlo (sempre uma preciosidade na hora de despachar a bagagem no ônibus);
  • Mala-roda Curtlo (outra preciosidade na hora de despachar a bagagem no ônibus);
  • Bolsa Frame Bag (levei nela carta de rota e passaporte, RG, algum dinheiro, alimentação e outros);
  • Bolsa de Selim SII (onde levo câmaras reserva, espátulas e jogo de chaves para reparo de emergencia);
  • Camisa Sprinter Curtlo (Muito fresquinha, protege os braços do sol e tem boa proteção UV);
  • Bermuda Vertigo Curtlo (em time que está ganhando não se mexe, está funcionando há 03 temporadas);
  • Colete refletivo Evidence Curtlo (item obrigatorio, este modelo está funcionando muito bem);
  • Meias Speed Curtlo (muito, muito confortaveis);
  • Meias Curtlo Double Skin (eu usei durante toda a viagem e em todos os momentos em que não estava pedalando, muito boas também)
  • Boné Expedition (Coringa! Uso por baixo do capacete e protege MUITO contra o sol, sobretudo a nuca).

Alguns números

  • Tempo total de prova: 16h:07min;
  • Distância percorrida: 303,8km;
  • Velocidade média: 18,9km/h;
  • Velocidade máxima: 62km/h;
  • 01 (um) pneu furado;

Para encontrar todos os meus relatos de outras provas AUDAX, use este link.

Um grande abraço à todos!

Próximo Desafio: AUDAX 300 Boituva, 15/02/2014

Olá amigos!

Post rápido para anunciar minha participação regular no próximo Audax organizado pelo Randonneurs SP, o AUDAX 300 de Boituva-SP.

Confira neste link a relação de inscritos confirmados.

Agradecimentos antecipados à Tutto Bike e à Curtlo, por apoiar-me novamente em mais esta empreitada. São empresas que estão acreditando em, e apoiando, uma causa pequena, um ciclista participando de provas que não trazem nem glória nem títulos .

Trechinho da Serra de Botucatu, por onde vamos subir na ida, e descer na volta.

Trechinho da Serra de Botucatu, por onde vamos subir na ida, e descer na volta.

Serão 303,8km duríssimos em um cenário que costuma ter muito vento e sol à pino, para serem percorridos em no máximo 20h. Largada em Boituva, passando por Botucatu, São Manuel, e chegada no mesmo local de largada: Boituva.

Se tiver interesse, é possível baixar a planilha de rota clicando aqui.

Abaixo, o mapa do percurso, pelo Bikely:

http://www.bikely.com/maps/bike-path/brevet-300-boituva-15-02-14#null

Um pouco do que usarei:

Um grande e fraternal abraço à todos!

Audax 300, Brasília – Janeiro de 2014 – Relato

Olá amigos!

Aconteceu no ultimo sábado, 25/01/2014, a prova de longa distancia AUDAX 300 de Brasília, anunciada no calendário nacional, e eu estive lá participando!

A largada se deu às 03:00h da madrugada, no estacionamento do supermercado Pão de Açúcar no Lago Norte. O tempo máximo para percorrermos o trajeto de 301km seria de 20h, de forma que o prazo limite para chegada seria às 23:00h deste mesmo sábado.

Para conhecer detalhadamente o trecho percorrido, clique neste link. Ele aponta para a página web dos organizadores do evento.

Se deseja conferir os tempos oficiais registrados pela organização, clique aqui.

Para baixar a carta de rota usada no evento, clique aqui.

Transporte e hospedagem

Como estou no Estado de São Paulo e a prova é no Distrito Federal, a distancia seria bem longa até chegar ao destino. Avião ou ônibus?

Julguei o preço das companhias de aviação muito elevado nesta ocasião, e resolvi fazer um boicote, optando pela viagem de ônibus mesmo, com tempo estimado de até 16~17h.

Na hora de embarcar, bicicleta dentro da preciosa mala-bike Curtlo, e rodas também armazenadas em preciosísimas mala-rodas Curtlo. Aí vem o velho fantasma das companhias que tentam lhe impedir de despachar sua bagagem!

A empresa em questão foi a Real Expresso, e seus funcionários tentaram argumentar que só poderia despachar a bicicleta se pagasse uma taxa extra! Importante lembrar que o peso total de toda minha bagagem era muito abaixo do limite estabelecido. (argumentei muito pouco e não paguei absolutamente nada para que eles me permitissem despachar a bagagem).

Aproximadamente 14 horas de viagem e eu estava em Brasília-DF, onde fui recebido pelo colega de prova e agora amigo, o André Ribeiro, que também tratou muito gentilmente de hospedar-me.

André, se estiver lendo isto, novamente agradeço pela hospedagem, pela recepção e por toda a força! Sete estrelas a hospedagem em vosso lar!

Vistoria e largada

Bom, vistoria e largada, como escrevi um pouco mais acima, ocorreram junto ao supermercado Pão de Açúcar do Lago Norte. O horário para largada seria (e foi) às 03:00h da manhã, mas chegamos (Eu, André, e o Marcos Vinícius, que pegamos no caminho) um pouquinho atrasados, então o Marcos largou logo que pode e eu larguei junto com o André, o Adail e o Aislan, outro camarada que me deu grande força na véspera do evento, ajudando no reconhecimento de alguns trechos da prova.

Largamos os quatro com aproximadamente 19~20minutos de atraso, de forma que, não nutria eu a menor expectativa de encontrar qualquer outro companheiro antes do primeiro PC, aos 97,8km de prova.

Acabamos encontrando dois outros atletas muito rapidamente, e seguimos juntos, em ritmo bem lento, para permanecermos juntos até passarmos alguns trechos um pouco mais críticos no que tange a segurança.

O primeiro PC – Koch Natura – 97,8km percorridos

Antes de chegar neste PC, acabei me separando dos meninos porque eles decidiram aguardar um grupo que supostamente estaria “perdido/fora da rota”. Eu decidi seguir, porque tinha receio de ter que correr contra o tempo no final da prova…

A chegada ao Koch Natura foi um presente dos Deuses, porque lá encontrei amigos (imaginava que já teriam zarpado há tempo…). Alí encontrei o amigo Carlos Medeiros, o Sergio Rodrigo, o Evandro, e outros que agora não me lembro de pronto… Como é bom re-encontrar amigos! (um pouquinho antes de chegar a este ponto, encontrei o Tim e mais alguém, com um pneu furado certamente. Perguntei se tinham tudo o que precisavam e a resposta foi positiva).

Não perdi tempo no PC:

  • Fui ao banheiro;
  • Troquei uma ou outra frase com os amigos;
  • Pedi um Gatorade e uma Pamonha salgada;
  • Fui ao caixa pagar a conta e pedir o cupom-fiscal, exigido pela organização da prova;
  • Sentei-me para engolir violentamente apressado a pamonha e o Gatorade;
  • Me esqueci de abastecer a única caramanhola de água que carrego;
  • Saí acelerando tudo que podia para alcançar os amigos que haviam acabado de zarpar (Carlos Medeiros, Helio Henrique e Evandro).

PC1 ao PC2 – Koch Natura x Deck Norte – 175km percorridos

Consegui alcançar rapidinho os três mosqueteiros, acima citados, e então segui no melhor passo que poderia imaginar para esta prova. O Sergio chegou logo na sequencia para engrossar o caldo! Eu só podia curtir, alí atrás, aquele passo que era magnífico, mas que eu não conseguiria puxar na frente de modo algum.

Foi um trecho de pouco movimento, bom papo com os amigos, e o tempo passou rapidinho. Uma pena que o Sergio acabou ficando um pouco para trás, e que lá na frente o Evandro tenha resolvido desistir (não havia dormido quase nada antes da prova).

Chegamos ao PC2, Deck Norte: Carlos Medeiros, Helio Henrique, e eu. Almoçamos do outro lado da rua, num restaurante no estacionamento do supermercado Pão de Açúcar, sim, o mesmo local da largada.

Eu havia me programado para não almoçar, mas mudei de ideia e comi o seguinte:

  • Arroz integral;
  • Feijão;
  • Purê de mandioca;
  • Creme de abóbora;
  • Sushi;
  • Alguma coisa mais que não me lembro, tudo em muito pequenina dose;
  • Bebi suco de cupuaçu com limão;

Rumo ao PC3, Posto Pedrão

Este trecho é aceito por todos como o mais duro de toda a prova. Me refiro a “bater” lá no posto Pedrão e retornar. Estamos falando de uma série de tobogãs, um bocadinho longos, para subir e descer, e no trecho de ida tem um pouco mais de descida que subida… Felizmente, o dia se mantinha nublado, de forma que o sol não castigou-nos nem um pouco.

É neste trecho da prova que fiquei conhecendo o “frita miolos”, subidinha linda que enfrentariamos no retorno. O termo é referencia a um trecho desprovido de ventos ou sombra para refrescar nos dias de sol.

Ainda que o dia estivesse um pouco nublado, contei com um grande coringa levado para enfrentar este trecho: O boné Expedition da Curtlo! rsrs. Nem vou falar muito, apenas quero dizer que veste bem, protege muito bem a nuca, e a tradicional aba traz uma sombra para o rosto ou parte dele. Hey Curtlo, se estiverem lendo isto, obrigado!

Chegando no posto Pedrão, pedi um litro de água de côco (e cupom-fiscal para a organização da prova), comi 02 das 03 batatas cozidas que estava levando este tempo todo comigo (o Carlos aproveitou a terceira porque eu não iria aguentar as 03), abasteci a caramanhola de água com o restante da água de côco, ao invés de usar água comum (foi um erro, não farei novamente), fui ao banheiro, esticamos as pernas e logo que o Tim chegou nós partimos.

Eu achei o trecho suave, mas se estivesse com sol sei que as coisas seriam bem diferentes. E imaginava que a volta poderia não ser fácil, porque no que tange à altimetria é um pouco mais dura mesmo.

PC3 ao PC4, Posto de gasolina na pista principal do lago sul (altura da QI 29)

Saí do posto Pedrão ainda junto com o Carlos e o Hélio, mas depois das primeiras subidas cada um começou a desenvolver um ritmo, e me separei dos meninos. Não demorou muito e o Hélio me alcançou, ao passo que o Carlos seguiu logo atrás, sempre forte.

Acho que foi justamente no “frita miolos” que me separei novamente do Helio, ele deve ter resolvido esperar pelo Carlos a fim de seguirem juntos, mas eu tinha de adiantar o que pudesse do trajeto, porque sabia que logo mais haveriam muitos planos e descidas, onde eu seria muito lento. Eu sabia que, se nestes trechos planos ou de descidas, me desconectasse dos meninos, sofreria um pouco mais com a navegação/orientação na entrada do trecho urbano em Brasília.

Sabia que os meninos me encontrariam muito rápido no trecho plano e de descidas, mas eu rodava, rodava, e eles não chegavam… Comecei a pensar que tinha errado algo no trajeto, e em minhas paradas para pedir informações a fim de cruzar com a carta de rota perdi algum tempo.

Quando achei que tinha errado a rota, pedindo informações num aglomerado de comercios, eis que passa por alí um belo e fortíssimo pelotão, com o Tim, Carlos, o Hélio e umas duas outras pessoas que agora não me recordo. Acelerei ao máximo para tentar alcançá-los e me agrupar, em vão, porque são muito mais fortes que eu!

Cabe agora penar um pouco para me orientar dentro de Brasília, encontrar o PC4, local onde nem mesmo alguns dos funcionários sabiam que era um PC da prova, e depois chegar até o Deck norte, local da chegada.

Por fim, concluí a prova com o tempo oficial de 16h:20m (preciso lembrar que saí com 19min de atraso, então efetivamente rodei por 16h:01m.)

Foto imediatamente após a chegada. (foto de Osvaldo Nunes)
Foto imediatamente após a chegada. (foto de Osvaldo Nunes)
Minutos após a chegada, junto aos amigos.
Minutos após a chegada, junto aos amigos.

Agradecimentos

Quero agradecer:

À Tutto Bike, que me apoiou em mais esta prova, que sempre faz a manutenção de meu equipamento, e que me propicia suporte para continuar participando das provas de longa distância Audax.

À Curtlo, que também me apoia na iniciativa de participar destas provas de longa distância. Uso vários produtos deles e gosto bastante, simplesmente porque funcionam bem.

Ao André Ribeiro, que foi co-reponsável direto pela obtenção deste brevet, e a todos os amigos com quem girei qualquer trecho da prova!

Alguns Equipamentos que utilizei

Alguns números meus, nesta prova:

  • Tempo total de prova: 16h:01min:52seg;
  • Distância percorrida: 304,89km;
  • Velocidade média: 19,0km/h;
  • Velocidade máxima: 64,0km/h;
  • 00 (zero) pneus furados;

Para encontrar todos os meus relatos de outras provas AUDAX, use este link.

Um grande abraço à todos!

Audax 200 Extreme, Campos do Jordão – Dezembro de 2013 – Relato

Olá amigos!

Tentarei relatar aqui um pouco sobre a ultima prova de que participei, anunciada anteriormente neste outro post (neste link você também baixa a planilha de rota e visualiza o mapa do percurso). Se tiver interesse em ler também o relato de meu primeiro Brevet 200, clique aqui. Ou para ler meu relato do Brevet 200 em Holambra-SP este ano (2013), clique aqui.

Para conferir os tempos oficiais registrados pela organização, clique aqui.

Transporte e hospedagem

Foram pontos que me deixaram um pouco preocupado às vesperas do evento, porque a decisão de ir realmente, só se deu muito tarde… Mas antes de finalizar reserva com uma pousada em Tremembé, onde haveria festa até altas horas da madrugada (enquanto eu certamente estaria tentando em vão dormir…) e de comprar passagem rodoviária para Taubaté (o que me faria sofrer um pouquinho com toda a logística), surgiu a mão amiga do Vitor Lopes e do Roberto Avellar, que propuseram irmos todos juntos no carro do Roberto, saindo da grande ABC-SP às 04:00h da manhã direto para o ponto de largada. (Vitor e Roberto, se estiverem lendo isto, muito obrigado pela ajuda)
Bom, desta forma eliminamos a questão hospedagem. Tudo correu perfeitamente e chegamos lá sem qualquer atraso ou contratempo.

Vistoria e largada

O local de largada foi o restaurante Castelão Siciliano, antigo Castelão, agora todo reformado (e mudou para melhor), localizado no Km 15 da Rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro. Cheguei e já fui direto realizar a vistoria, enquanto ainda não havia fila… Tudo em conformidade com os procedimentos de vistoria e tudo dentro do cronograma estipulado pela organização, sem atrasos, tudo muito redondinho.
Enchi a caramanhola de água, comi uma banana (já havia feito café da manhã/madrugada em casa), então fui ao banheiro colocar a fantasia de ciclista e depois aplicar protetor solar.

Logo encontrei o amigo Jota, do blog Jota Ciclo, já citado em algum post anterior aqui no blog. O Jota acompanharia dois amigos, “macacos velhos” de estrada, mas novos no mundo das provas Randonneur/Audax, Marcos Goes e Sebastião Valton. Momento para saudar um amigo e conversar um pouco, sempre prazeroso!

Chegou a hora do briefing, e logo a largada. Pensei que estava posicionado atrás de todo mundo, mas com todo o pessoal dando meia volta eu me dei conta de que acabara ficando posicionado lá na frente… Tudo bem, não faz diferença alguma.

De verde, manga longa, no pelotão logo após a largada.

De verde, manga longa, no pelotão logo após a largada.

A primeira grande subida: Tremembé – Sto. Antonio do Pinhal

A primeira grande rampa do gráfico de altimetria marca aproximadamente 8km de subida contínua, e bem forte, que começa junto ao posto da Polícia Rodoviária Federal e termina logo depois de contornar a alça/rotatória de acesso à Santo Antônio do Pinhal. Um trecho para se fazer devagar, economizando as pernas, para que estas possam render no trecho de alta que encontrariamos logo após esta primeira subida. Eu projetei um ritmo X em mente, mas na hora H acabei errando a dose, e apertei o ritmo um pouco mais do que deveria: Trouxe para casa um pouco mais de aprendizado.

O sol ainda não estava forte e esta parte do trecho costuma ser um pouco húmida, o que trazia um clima bem fresquinho para nós ciclistas. Trecho adorável de se pedalar, com uma vista magnífica de grande extrensão do Vale do Paraíba, olhando para direita um pouco antes de chegar ao topo desta subida.

Quase no final da subida, hora de contornar a alça de acesso à Santo Antonio do Pinhal.

Quase no final da subida, hora de contornar a alça de acesso à Santo Antonio do Pinhal.

Feita a rotatória/alça de acesso, ainda sobe um pouquinho, muito pouco, e então a estrada adentra ao maravilhoso bosque de araucárias que leva à Santo Antônio do Pinhal. Trecho de beleza cênica indescritível, com ar de montanha, fresquinho, e completamente cheio de curvas. Um trecho rápido, onde você pode melhorar bem a média de velocidade se não pegar transito. Muita cautela para não tornar a diversão perigosa, a estrada é estreita e é comum pegar movimento intenso alí. Quanto mais cedo, menor o movimento.

Trecho do bosque que leva à Santo Antonio do Pinhal. Foto: Valdeir Silva

Trecho do bosque que leva à Santo Antonio do Pinhal.
Foto: Valdeir Silva

Sto. Antonio do Pinhal – Monteiro Lobato

Chegando ao centro de Santo Antônio do Pinhal pensei em abastecer a caramanhola de água, mas deixei para o fazer um pouco mais adiante, em um bar na beira da pista, onde estaria em velocidade menor. Um pouco mais de trechos rápidos e logo estou abastecendo água no bar, bordo direito da pista.

Logo, estou na rotatória para Monteiro Lobato e/ou São Bento do Sapucaí-Sul de Minas. Esquerda para o primeiro destino, hora de ingerir algum carbohidrato (pedalando, claro) e um pouco depois encarar um belo trecho de descidas em curvas. Novamente um trecho de alta velocidade, muita curva, e mais bosques proporcionando muita sombra na estrada. Um furo do pneu dianteiro neste trecho, pouco antes de chegar em Monteiro Lobato.

Sobre o furo, não identifiquei nenhum elemento estranho junto ao pneu, nem por dentro nem por fora, tampouco no aro ou na fita de aro… Como aquela câmara em questão já tinha uns 4 remendos, nem fiz questão de trazer de volta, abandonei-a numa lixeira que havia próximo. Coloquei neste pneu uma câmara NOVA, sem remendos, e segui viagem. Troca simples e relativamente rápida.

Monteiro Lobato – São Francisco Xavier

Logo depois de passar o centrinho de Monteiro Lobato, praça Comendador Freire, temos uma nova serra para subir, agora com menos sombra, um bocado ingreme e bem contínua também, embora curta se comparada com as outras grandes subidas deste brevet. Não me lembro de pontos de abastecimento neste trecho, mas minha caramanhola ainda continha bastante água. Foi quase no final desta serra que conheci o Zé Mário, com a caramanhola vazia e sofrendo um pouquinho (ofereci água, uma palavra de força e depois soube que ele brevetou a prova!).

Terminada esta subida, vem uma descida interessante, e novo furo no pneu dianteiro! Mais uma vez não localizei qualquer elemento estranho no pneu, nem em lugar algum… Mas não quis perder tempo investigando isto alí, quando o primeiro PC estava tão próximo… Eu simplesmente troquei a câmara novamente (só teria mais uma de reserva agora) e trouxe esta furada comigo, para remendar em casa.

O trecho entre Monteiro Lobato e São Francisco Xavier também é muito bonito, com alguns cursos d’água ao bordo da pista, e também conta com sombra em vários trechos. Bem próximo ao PC1 e começo a ver ciclistas retornando já, vontade de apertar um pouquinho o ritmo, mas não tenho pernas para tanto, e sigo no mesmo ritmo.

PC 1, São Francisco Xavier

A organização da prova montou o primeiro Ponto de Controle, ou PC1, na praça Conego Antonio Menzi, Centro, e é um lugar lindo! Muita sombra, um bom vento fresquinho que batia, água gelada, paçoquinha, banana, doce de banana em barrinha, (eram alguns dos itens que a organização ofereceu, mais precisamente o que eu consumi) passaporte carimbado, caramanhola abastecida, e resolvi não me demorar muito alí. O lugar estava tão belo e aprazível, que se eu ficasse mais um pouco poderia não sair mais… Segui junto a alguns membros do CLR Cycling Team.

São Francisco Xavier – Monteiro Lobato – Sto. Antonio do Pinhal

Bom, este trecho nós acabamos de percorrer em sentido oposto, então é conhecido:

Uma subidinha forte, uma descida bem interessante, e uma subida MUITO interessante, a de Monteiro Lobato, nossa segunda grande subida do dia! Em algum ponto, acho que logo depois do centrinho de Monteiro Lobato, ou pouco antes disto, me juntei ao Bruno de Águas de Lindoia, com quem disfrutei um belo momento de pedal. Caboclo de ritmo muito consistente! O Bruno parou numa lanchonete ou bar, para abastecer-se de água fresca ou esticar as pernas um pouco, e eu resolvi seguir sem parada porque pensava em descansar um pouco logo antes da subida para Campos, bem mais à frente…

Quase ao final da subida da serra de Monteiro Lobato não aguentei e resolvi esticar as pernas por um instante. Desci da bicicleta e me sentei, ou deitei-me, não me recordo, à beira da pista, na sombra. Logo estão passando por mim o Caetano Barreira (que conheci na ocasião de um brevet 400 em Brasília, no meio do ano corrente, 2013) e o Bruno, que acabara de conhecer. Senti o ânimo retornar ao meu corpo e segui imediatamente depois, para então encontrar uma deliciosa descida, esta sem muitas curvas, antes de fazer a grande curva à direita sentido Santo Antônio do Pinhal.

Santo Antônio do Pinhal – Parada estratégica

Como eu não havia parado lá atrás, em Monteiro Lobato, e não estava muito a fim de parar no PA (ponto de abastecimento) sugerido em nossa carta de rota, fiz uma parada em Santo Antônio do Pinhal, num belo restaurante em frente à rotatoria de SAP, onde começaria a subir pela estrada velha de Campos do Jordão. Hora de almoçar aquelas duas batatas cozidas que eu carregava desde o início da prova, rsrsrs, nos bolsos do uniforme!

Batata cozida, pitadas de sal, e um suco de pêssego – em lata – que comprei no restaurante: Quanto prazer em tão simples refeição! Um “pulinho” ao banheiro para urinar, lavar as mãos, e pronto para começar a subir.

A ultima grande subida: Sto. Antonio do Pinhal – Campos do Jordão

Antes da grande subida, temos uma subida não tão grande, uma descida interessante, rodamos 10km depois de minha parada anterior (SAP) e estou passando em frente ao PA (ponto de abastecimento), Bar do Pedro. Haviam vários ciclistas por lá, e devem ter achado um pouco estranho eu passar direto, sem parada alí, justo aos pés da grande escalada do dia… Um aceno para o pessoal, e toca agora iniciar a escalada.

O trecho é extremamente lindo, poético, e não para de subir o tempo todo. Serão 13km de subida até o final desta serra, e minha velocidade só passará dos 7~8km/h em poucos trechos.

O cérebro com sua armadilha montada pedia constantemente para parar um pouquinho, mas eu resolvi não escutá-lo e toquei para cima até alcançar o início da descida que leva ao trecho urbanho de Campos do Jordão, onde estas armadilhas de “pare só um pouquinho” já não fariam mais sentido. Sentia o coração pulsando forte e veloz no decorrer da subida, precisava concentrar um pouco na respiração para não deixar as coisas sairem do controle, e então conseguia manter o ritmo sem grande sacrifício, embora as costas, a coluna mais precisamente, já estava um pouco judiada!

Quando o terreno começou a apontar para baixo, já brotou uma alegria e logo eu via a rotatória de Campos do Jordão. Agora é seguir sentido Abernéssia, não sem antes sentir extremo desprazer de pedalar alí dentro de Campos, por conta de um transito ruim e pavimento horrível para se pedalar! PC2, abastecer água, comer algo, carimbar o passaporte sem demora, e descer a serra de volta para “casa”.

A grande descida: Campos do Jordão – Tremembé

Eu pensava que os trechos de grande beleza cênica já haviam passado, mas enganei-me! A descida ainda nos brinda além do alívio muscular, belíssimas paisagens descendo para o Vale do Paraíba!

Vento ligeiramente contra e eu conseguia descer todo aquele grande trecho sem colocar as mãos nos freios em momento algum, e a velocidade que poderia ir às estrelas, sem pedalar, não passava dos 51km/h. Transito nulo, e eu estava fazendo uma descida segura e prazerosa. Tensão apenas por um segundo, junto à alça de acesso para Santo Antônio do Pinhal (aquela mesma do trecho de ida), e claro, tive de colocar as mãos nos freios, rsrsrs. Trechinho sempre “perigoso alí”, tenham cuidado!

Acaba a descida, começa um trechinho plano, e estamos chegando ao PC3, ponto de chegada, acumulando 208km em 11:13:13 (h:min:seg).

Encontrei o Vitor e o Roberto já recompostos e descansados, com quem iria também voltar para São Bernardo do Campo, recebi a medalha e certificado da organização, bebi um repositor eletrolítico adquirido no Restaurante Castelão Siciliano, tentei em vão comer uma barrinha de proteína que havia levado comigo (o estômago já estava começando a ficar fraco), guardamos a bike no carro do Roberto e tocamos para o ABC.

Foto clássica do certificado e medalha ao final da prova.

Foto clássica do certificado e medalha ao final da prova.

Agradecimentos

Preciso agradecer:

À Tutto Bike, que me apoia e que sempre faz a manutenção de meu equipamento. Que me propicia suporte para continuar participando das provas de longa distância e com quem mantenho uma excelente relação desde que comecei com as provas Audax.

À Curtlo, que também me apoia na iniciativa de participar destas provas de longa distância. Eu adoro o material deles, uso muita coisa da marca e recomendo. Uma grande marca, que acredita em pequenas iniciativas.

À todos os amigos com quem pedalei qualquer trecho da prova, estes momentos de companhia costumam ser maravilhosos; Ao Vitor e Roberto (já citados aqui) pelo transporte, ao amigo Tchesco, que não participou da prova mas dispensou tempo precioso para me ajudar com o assunto hospedagem e transporte, e também à minha esposa que me dá forças e que portanto faz parte disto tudo!

Alguns Equipamentos que utilizei

Alguns números meus, nesta prova:

  • Tempo total de prova: 11h:13min:13seg;
  • Distância percorrida: 208,47km;
  • Velocidade média: 18,6km/h;
  • Velocidade máxima: 60,0km/h;
  • 02 pneus furados;

Um grande abraço à todos!

Próximo Desafio: AUDAX 200 Campos do Jordão, 07/12/2013

Olá amigos!

Post rápido para anunciar minha participação regular no próximo Audax organizado pelo Randonneurs SP, o famigerado AUDAX Extreme 200 de Campos.

Agradecimentos antecipados à Tutto Bike e à Curtlo, por apoiar-me novamente em mais esta empreitada. Por apoiar uma iniciativa tão simples, minha participação numa prova de ciclismo sem caráter competitivo, onde não há glória, nem pódium, nem inserção no Fantástico (é, este mesmo, o programa da Globo, rsrsrs).

Uma das estradas por onde passaremos, Rod. Monteiro Lobato. Foto Cedida por: Bike Magazine

Uma das estradas por onde passaremos, Rod. Monteiro Lobato.
Foto Cedida por: Bike Magazine

Serão 200km duríssimos em terreno de serra, para serem percorridos em no máximo 13:30h. Largada em Tremembé, passando por Santo Antônio do Pinhal, Monteiro Lobato, Campos do Jordão, e chegada no mesmo local de largada: Tremembé.

Se tiver interesse, é possível baixar a planilha de rota clicando aqui.

Abaixo, o mapa do percurso, pelo Bikely:

http://www.bikely.com/maps/bike-path/audax-200-campos-extreme-07-12-2013#

Um pouco do que usarei:

Um grande e fraternal abraço à todos!

Brevet 200 série 2014 – AUDAX 200 Holambra – Novembro de 2013

Olá amigos!

No ultimo sábado, 09/11/2013, participei de mais uma prova AUDAX 200, esta organizada pelo Audax Randonneurs São Paulo. Foram 206km de prova saindo de Holambra-SP rumo Casa Branca-SP (103km) e retorno Casa Branca-Holambra (103km) pelo mesmo caminho. É possível ver o mapa do percurso clicando aqui, bem como fazer download da carta de rota/navegação usada nesta prova, clicando aqui.

Contei uma vez mais com a inestimável ajuda do amigo Jota, que mora em Holambra e que me deu carona para lá a partir de Campinas-SP. Ele escreve o blog JotaCiclo, com bastante coisa sobre Audax também, e um bocado de fotos!!! (muito melhor que o meu, que quase nunca tem fotos, rsrs). Também ajudou a encontrar hospedagem e sempre ajuda com um bocado de coisa… Aliás, foi por conta desta carona que conheci também outro parceiro de prova, o Paulo Guedes, que dividiu hospedagem comigo na pousada Rancho da Cachaça.

Na tarde e noite que antecede a prova, rolou Quiropraxia na Pousada Oca, e Jantar com os amigos Jota, Paulo Guedes, Edy Henriques e André Rufino (os dois ultimos, cada um mais bem humorado que o outro).

Largamos às 07:00h da manhã, pontualmente, e consegui manter um excelente ritmo à sombra do Jota em um “pelotãozinho” que foi se mostrando muito forte. Ainda não havia Sol forte, e o vento parecia muito suave, era prazeroso pedalar alí.

Eu estou de manga longa Laranja, atrás do amigo Jota, manga longa Azul.

Eu estou de manga longa Laranja, atrás do amigo Jota, manga longa Azul.

Assim chegamos ao PC1, 15min de parada (não sei se chegou a tudo isto), e não deu para fazer muito mais que: Carimbar passaporte, abastecer a caramanhola, beber uns 750ml de água, comer um pãozinho, uma banana, ir ao banheiro, e passar protetor solar.

Saimos rumo PC2 – onde seria bom lugar e boa hora para um almoço – ainda em um pelotão muito forte. Não se passou muito para que me custasse um pouco seguir junto ao pelotão, mas fui levando um pouco mais, até que me começou a custar um pouco caro, e passei a seguir em um ritmo à parte, um bocadinho mais lento que o pelotão onde se manteve o Jota.

Chegada ao PC2 – Já tinhamos Sol à pino, e o vento soprava suavemente contra. Quando entrei no restaurante (depois de carimbar passaporte), o Jota e alguns outros colegas já haviam (claro) terminado sua refeição, e se preparavam para partir dentro em instantes. Tratei de comer um prato bem colorido, sem carnes, sem muita gordura, muito próximo do que comeria no almoço de um dia qualquer. Apesar de ver quase todo mundo bebendo Coca Cola, e de ter eu também pensado nesta hipótese, segui na contra-mão e pedi (sem açúcar) o único suco natural que serviam alí (veio com TANTO açúcar que eu prefiro não falar disto, rsrs).

Olhando para trás a fim de cruzar a pista e acessar o PC2, Restaurante.

Olhando para trás a fim de cruzar a pista e acessar o PC2, Restaurante.

Feita a refeição, paga a conta, calçada a sapatilha, vestida a bandana, encaixado o capacete, abastecida a caramanhola e aplicado o protetor solar, parti rumo PC3, com a missão de “voltar para casa”. Imaginei apenas Sol forte, vento contra, e solidão. Ato contínuo encontrei companhia (dois ciclistas muito companheiros e num ritmo que eu podia acompanhar). 1 minuto se passou e encontramos vento favorável, praticamente o vento dos sonhos! Quanto ao Sol, eu estava certo, ele não nos abandonaria até MUITO tarde.

Chegada ao PC3, ponto de parada Frango Assado – Carimbei o passaporte e fui refrigerar o corpo (leia-se: tirar sapatilhas, colete e camisa, capacete e bandana) e sentar-me esticando as pernas, mas não antes de beber um gigantesco gole de água gelada e comer um pãozinho salgado (com queijo branco acho), oferecido pela organização desde o PC1. Minha vontade era sair imediatamente dalí e encarar logo o ultimo trecho, mas o desgaste era grande, e eu não estava nem um pouco disposto a arriscar “quebrar-me” na beira da pista e perder o Brevet. Eu nem podia pensar muito em fazer bom tempo de prova, porque apesar de muito à frete de muita gente, estava muito atrás de muita gente também… Se quisesse fazer um tempo curto, teria que ter feito algo entre os PCs 2 e 3, e não apenas nestes 50kms finais.

Partida rumo PC4 – Eu parti confiante, e ainda com um dos companheiros com quem fiz o trecho PC2-PC3. Nos juntamos a um terceiro companheiro que surgiu e seguimos juntos enquanto deu. O Sol fritava e o ritmo era bem lento, cabia apenas espantar da mente ideias do tipo: “Nossa, que calor infernal!” ou “Minha Nossa, esta subida está fritando minhas coxas”. Em meio a estes devaneios apareceu ainda uma vendinha de suco de laranja fresquinho na beira da pista (do tipo: bebe à vontade, por R$ 3,00), e eu ainda estava com 2 companheiros.

Hidratados, seguimos de uma vez por todas rumo nossa meta, o PC4, ponto de chegada. Eu acho que saí junto com os outros dois rapazes, mas não passou muito para vê-los seguir adiante enquanto eu ia ficando para trás, em um ritmo mais lento…

Quando menos percebi, alí estava a entrada de Holambra! (a do portal, não a do Moinho). Um pouco mais adiante, logo depois do Hotel Garden, uma saudação do Edy Henriques e André Rufino, que já haviam terminado a prova (o André infelizmente não brevetou. Só ele sabe o que sentiu pela forma do ocorrido). Eles falaram alguma coisa bem animada, ou animadora, mas confesso que não entendi absolutamente uma palavra naquele momento, rsrsrs, me perdoem meninos, eu estava bem grogue!

Alguns metros a mais, à direita no semáforo, à esquerda no lago, à direita no final da rua, e estou no ponto de chegada, perfazendo 11:26min de prova! (consigo fazer mentalmente este caminho agora mesmo, como se estivesse revivendo aquele momento). Uns 4 ou 5 minutos para carimbar o passaporte, trocar cumprimentos com o Jota, alí presente, que fez um tempo maravilhoso de prova e depois ainda pegou o carro para auxiliar amigos na estrada (que haviam abandonado a prova), e pronto, eu tinha em mãos o Brevet que havia ido buscar! Eu estava feliz da vida!!!

Clicando aqui você pode conferir os tempos oficiais da prova.

Cabia agora seguir até a pousada, bem “baleado”, tomar um bom banho, esticar as pernas, fazer boa refeição, chamar a esposa ao telefone, arrumar as coisas para partir na manhã seguinte rumo CASA!!!

Consegui chegar na pousada, demorei mais do que esperava para o banho, vomitei o suco de laranja imediatamente após entrar no banheiro, demorei a esticar as pernas, chamei a esposa ao telefone, não jantei (é, nem eu acredito que fiz esta besteira e acabei passando muita fome), só arrumei as coisas para partir depois de um bom tempinho de cama, e não foi a coisa mais simples do mundo pedalar até a parada de ônibus no dia seguinte, após um belo café da manhã, claro.

Para esta prova contei novamente com o apoio da Tutto Bike, onde confio a manutenção de minha bicicleta. Eles me dão grande suporte para realizar estes duros desafios. Hey Tutto Bike, eu amo vocês!!!

Contei também com o apoio da Curtlo, falo mais sobre isto em breve post! Hey Curtlo, se estiverem lendo isto, interpretem este parágrafo como um “Eu amo vocês!!!”. Eu tiro o chapéu para vários de seus produtos.

Alguns dos Equipamentos que utilizei:

  • Trek 1.5 com Shimano 105, compacto 50-34 e ultegra 27-12;
  • Mala-bike Curtlo;
  • Mala-rodas Curtlo;
  • Bermuda Vertigo Curtlo;
  • Camisa Bio-Ciclo Manga Longa, Curtlo;
  • Bolsa de Selim SII Curtlo; (porque cabe bastante coisa)
  • Mochila Curtlo para levar tudo isto na viagem;
  • Protetor solar fator 50
  • Pneus Maxxis Re-Fuse;
  • 04 Câmaras reserva (não tive furos)
  • Barras de Frutas e Barras de Castanhas Kobber; (me saiu saboroso mas um pouco mais doce do que deveria)
  • 01 tubinho de bebida energética (tipo taurina + cafeína + sei lá o que, quente do sol, a 30km do final. Acho que foi a responsável pelo vomito)

Um grande abraço à todos, e meus mais sinceros agradecimentos a todos aqueles com quem pude pedalar algum trecho da prova, a todo mundo que me ajudou ou apoiou de alguma maneira.

Até o próximo post pessoal!!!

(se você gostou deste post, e tem curiosidades sobre o tema, pode conferir aqui o post sobre a minha primeira prova de 200km)