Audax 200 Extreme, Campos do Jordão – Dezembro de 2013 – Relato

Olá amigos!

Tentarei relatar aqui um pouco sobre a ultima prova de que participei, anunciada anteriormente neste outro post (neste link você também baixa a planilha de rota e visualiza o mapa do percurso). Se tiver interesse em ler também o relato de meu primeiro Brevet 200, clique aqui. Ou para ler meu relato do Brevet 200 em Holambra-SP este ano (2013), clique aqui.

Para conferir os tempos oficiais registrados pela organização, clique aqui.

Transporte e hospedagem

Foram pontos que me deixaram um pouco preocupado às vesperas do evento, porque a decisão de ir realmente, só se deu muito tarde… Mas antes de finalizar reserva com uma pousada em Tremembé, onde haveria festa até altas horas da madrugada (enquanto eu certamente estaria tentando em vão dormir…) e de comprar passagem rodoviária para Taubaté (o que me faria sofrer um pouquinho com toda a logística), surgiu a mão amiga do Vitor Lopes e do Roberto Avellar, que propuseram irmos todos juntos no carro do Roberto, saindo da grande ABC-SP às 04:00h da manhã direto para o ponto de largada. (Vitor e Roberto, se estiverem lendo isto, muito obrigado pela ajuda)
Bom, desta forma eliminamos a questão hospedagem. Tudo correu perfeitamente e chegamos lá sem qualquer atraso ou contratempo.

Vistoria e largada

O local de largada foi o restaurante Castelão Siciliano, antigo Castelão, agora todo reformado (e mudou para melhor), localizado no Km 15 da Rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro. Cheguei e já fui direto realizar a vistoria, enquanto ainda não havia fila… Tudo em conformidade com os procedimentos de vistoria e tudo dentro do cronograma estipulado pela organização, sem atrasos, tudo muito redondinho.
Enchi a caramanhola de água, comi uma banana (já havia feito café da manhã/madrugada em casa), então fui ao banheiro colocar a fantasia de ciclista e depois aplicar protetor solar.

Logo encontrei o amigo Jota, do blog Jota Ciclo, já citado em algum post anterior aqui no blog. O Jota acompanharia dois amigos, “macacos velhos” de estrada, mas novos no mundo das provas Randonneur/Audax, Marcos Goes e Sebastião Valton. Momento para saudar um amigo e conversar um pouco, sempre prazeroso!

Chegou a hora do briefing, e logo a largada. Pensei que estava posicionado atrás de todo mundo, mas com todo o pessoal dando meia volta eu me dei conta de que acabara ficando posicionado lá na frente… Tudo bem, não faz diferença alguma.

De verde, manga longa, no pelotão logo após a largada.

De verde, manga longa, no pelotão logo após a largada.

A primeira grande subida: Tremembé – Sto. Antonio do Pinhal

A primeira grande rampa do gráfico de altimetria marca aproximadamente 8km de subida contínua, e bem forte, que começa junto ao posto da Polícia Rodoviária Federal e termina logo depois de contornar a alça/rotatória de acesso à Santo Antônio do Pinhal. Um trecho para se fazer devagar, economizando as pernas, para que estas possam render no trecho de alta que encontrariamos logo após esta primeira subida. Eu projetei um ritmo X em mente, mas na hora H acabei errando a dose, e apertei o ritmo um pouco mais do que deveria: Trouxe para casa um pouco mais de aprendizado.

O sol ainda não estava forte e esta parte do trecho costuma ser um pouco húmida, o que trazia um clima bem fresquinho para nós ciclistas. Trecho adorável de se pedalar, com uma vista magnífica de grande extrensão do Vale do Paraíba, olhando para direita um pouco antes de chegar ao topo desta subida.

Quase no final da subida, hora de contornar a alça de acesso à Santo Antonio do Pinhal.

Quase no final da subida, hora de contornar a alça de acesso à Santo Antonio do Pinhal.

Feita a rotatória/alça de acesso, ainda sobe um pouquinho, muito pouco, e então a estrada adentra ao maravilhoso bosque de araucárias que leva à Santo Antônio do Pinhal. Trecho de beleza cênica indescritível, com ar de montanha, fresquinho, e completamente cheio de curvas. Um trecho rápido, onde você pode melhorar bem a média de velocidade se não pegar transito. Muita cautela para não tornar a diversão perigosa, a estrada é estreita e é comum pegar movimento intenso alí. Quanto mais cedo, menor o movimento.

Trecho do bosque que leva à Santo Antonio do Pinhal. Foto: Valdeir Silva

Trecho do bosque que leva à Santo Antonio do Pinhal.
Foto: Valdeir Silva

Sto. Antonio do Pinhal – Monteiro Lobato

Chegando ao centro de Santo Antônio do Pinhal pensei em abastecer a caramanhola de água, mas deixei para o fazer um pouco mais adiante, em um bar na beira da pista, onde estaria em velocidade menor. Um pouco mais de trechos rápidos e logo estou abastecendo água no bar, bordo direito da pista.

Logo, estou na rotatória para Monteiro Lobato e/ou São Bento do Sapucaí-Sul de Minas. Esquerda para o primeiro destino, hora de ingerir algum carbohidrato (pedalando, claro) e um pouco depois encarar um belo trecho de descidas em curvas. Novamente um trecho de alta velocidade, muita curva, e mais bosques proporcionando muita sombra na estrada. Um furo do pneu dianteiro neste trecho, pouco antes de chegar em Monteiro Lobato.

Sobre o furo, não identifiquei nenhum elemento estranho junto ao pneu, nem por dentro nem por fora, tampouco no aro ou na fita de aro… Como aquela câmara em questão já tinha uns 4 remendos, nem fiz questão de trazer de volta, abandonei-a numa lixeira que havia próximo. Coloquei neste pneu uma câmara NOVA, sem remendos, e segui viagem. Troca simples e relativamente rápida.

Monteiro Lobato – São Francisco Xavier

Logo depois de passar o centrinho de Monteiro Lobato, praça Comendador Freire, temos uma nova serra para subir, agora com menos sombra, um bocado ingreme e bem contínua também, embora curta se comparada com as outras grandes subidas deste brevet. Não me lembro de pontos de abastecimento neste trecho, mas minha caramanhola ainda continha bastante água. Foi quase no final desta serra que conheci o Zé Mário, com a caramanhola vazia e sofrendo um pouquinho (ofereci água, uma palavra de força e depois soube que ele brevetou a prova!).

Terminada esta subida, vem uma descida interessante, e novo furo no pneu dianteiro! Mais uma vez não localizei qualquer elemento estranho no pneu, nem em lugar algum… Mas não quis perder tempo investigando isto alí, quando o primeiro PC estava tão próximo… Eu simplesmente troquei a câmara novamente (só teria mais uma de reserva agora) e trouxe esta furada comigo, para remendar em casa.

O trecho entre Monteiro Lobato e São Francisco Xavier também é muito bonito, com alguns cursos d’água ao bordo da pista, e também conta com sombra em vários trechos. Bem próximo ao PC1 e começo a ver ciclistas retornando já, vontade de apertar um pouquinho o ritmo, mas não tenho pernas para tanto, e sigo no mesmo ritmo.

PC 1, São Francisco Xavier

A organização da prova montou o primeiro Ponto de Controle, ou PC1, na praça Conego Antonio Menzi, Centro, e é um lugar lindo! Muita sombra, um bom vento fresquinho que batia, água gelada, paçoquinha, banana, doce de banana em barrinha, (eram alguns dos itens que a organização ofereceu, mais precisamente o que eu consumi) passaporte carimbado, caramanhola abastecida, e resolvi não me demorar muito alí. O lugar estava tão belo e aprazível, que se eu ficasse mais um pouco poderia não sair mais… Segui junto a alguns membros do CLR Cycling Team.

São Francisco Xavier – Monteiro Lobato – Sto. Antonio do Pinhal

Bom, este trecho nós acabamos de percorrer em sentido oposto, então é conhecido:

Uma subidinha forte, uma descida bem interessante, e uma subida MUITO interessante, a de Monteiro Lobato, nossa segunda grande subida do dia! Em algum ponto, acho que logo depois do centrinho de Monteiro Lobato, ou pouco antes disto, me juntei ao Bruno de Águas de Lindoia, com quem disfrutei um belo momento de pedal. Caboclo de ritmo muito consistente! O Bruno parou numa lanchonete ou bar, para abastecer-se de água fresca ou esticar as pernas um pouco, e eu resolvi seguir sem parada porque pensava em descansar um pouco logo antes da subida para Campos, bem mais à frente…

Quase ao final da subida da serra de Monteiro Lobato não aguentei e resolvi esticar as pernas por um instante. Desci da bicicleta e me sentei, ou deitei-me, não me recordo, à beira da pista, na sombra. Logo estão passando por mim o Caetano Barreira (que conheci na ocasião de um brevet 400 em Brasília, no meio do ano corrente, 2013) e o Bruno, que acabara de conhecer. Senti o ânimo retornar ao meu corpo e segui imediatamente depois, para então encontrar uma deliciosa descida, esta sem muitas curvas, antes de fazer a grande curva à direita sentido Santo Antônio do Pinhal.

Santo Antônio do Pinhal – Parada estratégica

Como eu não havia parado lá atrás, em Monteiro Lobato, e não estava muito a fim de parar no PA (ponto de abastecimento) sugerido em nossa carta de rota, fiz uma parada em Santo Antônio do Pinhal, num belo restaurante em frente à rotatoria de SAP, onde começaria a subir pela estrada velha de Campos do Jordão. Hora de almoçar aquelas duas batatas cozidas que eu carregava desde o início da prova, rsrsrs, nos bolsos do uniforme!

Batata cozida, pitadas de sal, e um suco de pêssego – em lata – que comprei no restaurante: Quanto prazer em tão simples refeição! Um “pulinho” ao banheiro para urinar, lavar as mãos, e pronto para começar a subir.

A ultima grande subida: Sto. Antonio do Pinhal – Campos do Jordão

Antes da grande subida, temos uma subida não tão grande, uma descida interessante, rodamos 10km depois de minha parada anterior (SAP) e estou passando em frente ao PA (ponto de abastecimento), Bar do Pedro. Haviam vários ciclistas por lá, e devem ter achado um pouco estranho eu passar direto, sem parada alí, justo aos pés da grande escalada do dia… Um aceno para o pessoal, e toca agora iniciar a escalada.

O trecho é extremamente lindo, poético, e não para de subir o tempo todo. Serão 13km de subida até o final desta serra, e minha velocidade só passará dos 7~8km/h em poucos trechos.

O cérebro com sua armadilha montada pedia constantemente para parar um pouquinho, mas eu resolvi não escutá-lo e toquei para cima até alcançar o início da descida que leva ao trecho urbanho de Campos do Jordão, onde estas armadilhas de “pare só um pouquinho” já não fariam mais sentido. Sentia o coração pulsando forte e veloz no decorrer da subida, precisava concentrar um pouco na respiração para não deixar as coisas sairem do controle, e então conseguia manter o ritmo sem grande sacrifício, embora as costas, a coluna mais precisamente, já estava um pouco judiada!

Quando o terreno começou a apontar para baixo, já brotou uma alegria e logo eu via a rotatória de Campos do Jordão. Agora é seguir sentido Abernéssia, não sem antes sentir extremo desprazer de pedalar alí dentro de Campos, por conta de um transito ruim e pavimento horrível para se pedalar! PC2, abastecer água, comer algo, carimbar o passaporte sem demora, e descer a serra de volta para “casa”.

A grande descida: Campos do Jordão – Tremembé

Eu pensava que os trechos de grande beleza cênica já haviam passado, mas enganei-me! A descida ainda nos brinda além do alívio muscular, belíssimas paisagens descendo para o Vale do Paraíba!

Vento ligeiramente contra e eu conseguia descer todo aquele grande trecho sem colocar as mãos nos freios em momento algum, e a velocidade que poderia ir às estrelas, sem pedalar, não passava dos 51km/h. Transito nulo, e eu estava fazendo uma descida segura e prazerosa. Tensão apenas por um segundo, junto à alça de acesso para Santo Antônio do Pinhal (aquela mesma do trecho de ida), e claro, tive de colocar as mãos nos freios, rsrsrs. Trechinho sempre “perigoso alí”, tenham cuidado!

Acaba a descida, começa um trechinho plano, e estamos chegando ao PC3, ponto de chegada, acumulando 208km em 11:13:13 (h:min:seg).

Encontrei o Vitor e o Roberto já recompostos e descansados, com quem iria também voltar para São Bernardo do Campo, recebi a medalha e certificado da organização, bebi um repositor eletrolítico adquirido no Restaurante Castelão Siciliano, tentei em vão comer uma barrinha de proteína que havia levado comigo (o estômago já estava começando a ficar fraco), guardamos a bike no carro do Roberto e tocamos para o ABC.

Foto clássica do certificado e medalha ao final da prova.

Foto clássica do certificado e medalha ao final da prova.

Agradecimentos

Preciso agradecer:

À Tutto Bike, que me apoia e que sempre faz a manutenção de meu equipamento. Que me propicia suporte para continuar participando das provas de longa distância e com quem mantenho uma excelente relação desde que comecei com as provas Audax.

À Curtlo, que também me apoia na iniciativa de participar destas provas de longa distância. Eu adoro o material deles, uso muita coisa da marca e recomendo. Uma grande marca, que acredita em pequenas iniciativas.

À todos os amigos com quem pedalei qualquer trecho da prova, estes momentos de companhia costumam ser maravilhosos; Ao Vitor e Roberto (já citados aqui) pelo transporte, ao amigo Tchesco, que não participou da prova mas dispensou tempo precioso para me ajudar com o assunto hospedagem e transporte, e também à minha esposa que me dá forças e que portanto faz parte disto tudo!

Alguns Equipamentos que utilizei

Alguns números meus, nesta prova:

  • Tempo total de prova: 11h:13min:13seg;
  • Distância percorrida: 208,47km;
  • Velocidade média: 18,6km/h;
  • Velocidade máxima: 60,0km/h;
  • 02 pneus furados;

Um grande abraço à todos!

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Próximo Desafio: AUDAX 200 Campos do Jordão, 07/12/2013

Olá amigos!

Post rápido para anunciar minha participação regular no próximo Audax organizado pelo Randonneurs SP, o famigerado AUDAX Extreme 200 de Campos.

Agradecimentos antecipados à Tutto Bike e à Curtlo, por apoiar-me novamente em mais esta empreitada. Por apoiar uma iniciativa tão simples, minha participação numa prova de ciclismo sem caráter competitivo, onde não há glória, nem pódium, nem inserção no Fantástico (é, este mesmo, o programa da Globo, rsrsrs).

Uma das estradas por onde passaremos, Rod. Monteiro Lobato. Foto Cedida por: Bike Magazine

Uma das estradas por onde passaremos, Rod. Monteiro Lobato.
Foto Cedida por: Bike Magazine

Serão 200km duríssimos em terreno de serra, para serem percorridos em no máximo 13:30h. Largada em Tremembé, passando por Santo Antônio do Pinhal, Monteiro Lobato, Campos do Jordão, e chegada no mesmo local de largada: Tremembé.

Se tiver interesse, é possível baixar a planilha de rota clicando aqui.

Abaixo, o mapa do percurso, pelo Bikely:

http://www.bikely.com/maps/bike-path/audax-200-campos-extreme-07-12-2013#

Um pouco do que usarei:

Um grande e fraternal abraço à todos!

Brevet 200 série 2014 – AUDAX 200 Holambra – Novembro de 2013

Olá amigos!

No ultimo sábado, 09/11/2013, participei de mais uma prova AUDAX 200, esta organizada pelo Audax Randonneurs São Paulo. Foram 206km de prova saindo de Holambra-SP rumo Casa Branca-SP (103km) e retorno Casa Branca-Holambra (103km) pelo mesmo caminho. É possível ver o mapa do percurso clicando aqui, bem como fazer download da carta de rota/navegação usada nesta prova, clicando aqui.

Contei uma vez mais com a inestimável ajuda do amigo Jota, que mora em Holambra e que me deu carona para lá a partir de Campinas-SP. Ele escreve o blog JotaCiclo, com bastante coisa sobre Audax também, e um bocado de fotos!!! (muito melhor que o meu, que quase nunca tem fotos, rsrs). Também ajudou a encontrar hospedagem e sempre ajuda com um bocado de coisa… Aliás, foi por conta desta carona que conheci também outro parceiro de prova, o Paulo Guedes, que dividiu hospedagem comigo na pousada Rancho da Cachaça.

Na tarde e noite que antecede a prova, rolou Quiropraxia na Pousada Oca, e Jantar com os amigos Jota, Paulo Guedes, Edy Henriques e André Rufino (os dois ultimos, cada um mais bem humorado que o outro).

Largamos às 07:00h da manhã, pontualmente, e consegui manter um excelente ritmo à sombra do Jota em um “pelotãozinho” que foi se mostrando muito forte. Ainda não havia Sol forte, e o vento parecia muito suave, era prazeroso pedalar alí.

Eu estou de manga longa Laranja, atrás do amigo Jota, manga longa Azul.

Eu estou de manga longa Laranja, atrás do amigo Jota, manga longa Azul.

Assim chegamos ao PC1, 15min de parada (não sei se chegou a tudo isto), e não deu para fazer muito mais que: Carimbar passaporte, abastecer a caramanhola, beber uns 750ml de água, comer um pãozinho, uma banana, ir ao banheiro, e passar protetor solar.

Saimos rumo PC2 – onde seria bom lugar e boa hora para um almoço – ainda em um pelotão muito forte. Não se passou muito para que me custasse um pouco seguir junto ao pelotão, mas fui levando um pouco mais, até que me começou a custar um pouco caro, e passei a seguir em um ritmo à parte, um bocadinho mais lento que o pelotão onde se manteve o Jota.

Chegada ao PC2 – Já tinhamos Sol à pino, e o vento soprava suavemente contra. Quando entrei no restaurante (depois de carimbar passaporte), o Jota e alguns outros colegas já haviam (claro) terminado sua refeição, e se preparavam para partir dentro em instantes. Tratei de comer um prato bem colorido, sem carnes, sem muita gordura, muito próximo do que comeria no almoço de um dia qualquer. Apesar de ver quase todo mundo bebendo Coca Cola, e de ter eu também pensado nesta hipótese, segui na contra-mão e pedi (sem açúcar) o único suco natural que serviam alí (veio com TANTO açúcar que eu prefiro não falar disto, rsrs).

Olhando para trás a fim de cruzar a pista e acessar o PC2, Restaurante.

Olhando para trás a fim de cruzar a pista e acessar o PC2, Restaurante.

Feita a refeição, paga a conta, calçada a sapatilha, vestida a bandana, encaixado o capacete, abastecida a caramanhola e aplicado o protetor solar, parti rumo PC3, com a missão de “voltar para casa”. Imaginei apenas Sol forte, vento contra, e solidão. Ato contínuo encontrei companhia (dois ciclistas muito companheiros e num ritmo que eu podia acompanhar). 1 minuto se passou e encontramos vento favorável, praticamente o vento dos sonhos! Quanto ao Sol, eu estava certo, ele não nos abandonaria até MUITO tarde.

Chegada ao PC3, ponto de parada Frango Assado – Carimbei o passaporte e fui refrigerar o corpo (leia-se: tirar sapatilhas, colete e camisa, capacete e bandana) e sentar-me esticando as pernas, mas não antes de beber um gigantesco gole de água gelada e comer um pãozinho salgado (com queijo branco acho), oferecido pela organização desde o PC1. Minha vontade era sair imediatamente dalí e encarar logo o ultimo trecho, mas o desgaste era grande, e eu não estava nem um pouco disposto a arriscar “quebrar-me” na beira da pista e perder o Brevet. Eu nem podia pensar muito em fazer bom tempo de prova, porque apesar de muito à frete de muita gente, estava muito atrás de muita gente também… Se quisesse fazer um tempo curto, teria que ter feito algo entre os PCs 2 e 3, e não apenas nestes 50kms finais.

Partida rumo PC4 – Eu parti confiante, e ainda com um dos companheiros com quem fiz o trecho PC2-PC3. Nos juntamos a um terceiro companheiro que surgiu e seguimos juntos enquanto deu. O Sol fritava e o ritmo era bem lento, cabia apenas espantar da mente ideias do tipo: “Nossa, que calor infernal!” ou “Minha Nossa, esta subida está fritando minhas coxas”. Em meio a estes devaneios apareceu ainda uma vendinha de suco de laranja fresquinho na beira da pista (do tipo: bebe à vontade, por R$ 3,00), e eu ainda estava com 2 companheiros.

Hidratados, seguimos de uma vez por todas rumo nossa meta, o PC4, ponto de chegada. Eu acho que saí junto com os outros dois rapazes, mas não passou muito para vê-los seguir adiante enquanto eu ia ficando para trás, em um ritmo mais lento…

Quando menos percebi, alí estava a entrada de Holambra! (a do portal, não a do Moinho). Um pouco mais adiante, logo depois do Hotel Garden, uma saudação do Edy Henriques e André Rufino, que já haviam terminado a prova (o André infelizmente não brevetou. Só ele sabe o que sentiu pela forma do ocorrido). Eles falaram alguma coisa bem animada, ou animadora, mas confesso que não entendi absolutamente uma palavra naquele momento, rsrsrs, me perdoem meninos, eu estava bem grogue!

Alguns metros a mais, à direita no semáforo, à esquerda no lago, à direita no final da rua, e estou no ponto de chegada, perfazendo 11:26min de prova! (consigo fazer mentalmente este caminho agora mesmo, como se estivesse revivendo aquele momento). Uns 4 ou 5 minutos para carimbar o passaporte, trocar cumprimentos com o Jota, alí presente, que fez um tempo maravilhoso de prova e depois ainda pegou o carro para auxiliar amigos na estrada (que haviam abandonado a prova), e pronto, eu tinha em mãos o Brevet que havia ido buscar! Eu estava feliz da vida!!!

Clicando aqui você pode conferir os tempos oficiais da prova.

Cabia agora seguir até a pousada, bem “baleado”, tomar um bom banho, esticar as pernas, fazer boa refeição, chamar a esposa ao telefone, arrumar as coisas para partir na manhã seguinte rumo CASA!!!

Consegui chegar na pousada, demorei mais do que esperava para o banho, vomitei o suco de laranja imediatamente após entrar no banheiro, demorei a esticar as pernas, chamei a esposa ao telefone, não jantei (é, nem eu acredito que fiz esta besteira e acabei passando muita fome), só arrumei as coisas para partir depois de um bom tempinho de cama, e não foi a coisa mais simples do mundo pedalar até a parada de ônibus no dia seguinte, após um belo café da manhã, claro.

Para esta prova contei novamente com o apoio da Tutto Bike, onde confio a manutenção de minha bicicleta. Eles me dão grande suporte para realizar estes duros desafios. Hey Tutto Bike, eu amo vocês!!!

Contei também com o apoio da Curtlo, falo mais sobre isto em breve post! Hey Curtlo, se estiverem lendo isto, interpretem este parágrafo como um “Eu amo vocês!!!”. Eu tiro o chapéu para vários de seus produtos.

Alguns dos Equipamentos que utilizei:

  • Trek 1.5 com Shimano 105, compacto 50-34 e ultegra 27-12;
  • Mala-bike Curtlo;
  • Mala-rodas Curtlo;
  • Bermuda Vertigo Curtlo;
  • Camisa Bio-Ciclo Manga Longa, Curtlo;
  • Bolsa de Selim SII Curtlo; (porque cabe bastante coisa)
  • Mochila Curtlo para levar tudo isto na viagem;
  • Protetor solar fator 50
  • Pneus Maxxis Re-Fuse;
  • 04 Câmaras reserva (não tive furos)
  • Barras de Frutas e Barras de Castanhas Kobber; (me saiu saboroso mas um pouco mais doce do que deveria)
  • 01 tubinho de bebida energética (tipo taurina + cafeína + sei lá o que, quente do sol, a 30km do final. Acho que foi a responsável pelo vomito)

Um grande abraço à todos, e meus mais sinceros agradecimentos a todos aqueles com quem pude pedalar algum trecho da prova, a todo mundo que me ajudou ou apoiou de alguma maneira.

Até o próximo post pessoal!!!

(se você gostou deste post, e tem curiosidades sobre o tema, pode conferir aqui o post sobre a minha primeira prova de 200km)