Review da Calça para Ciclismo Vertigo II, Curtlo

Olá amigos!

Resolvi produzir meu review ou relatório sobre um dos produtos que estou usando nas provas de ciclismo de longa distância, mais exatamente os Brevets BRM’s de 200, 300, 400 e 600km. O produto em questão é a Calça Ciclista Vertigo, da marca Curtlo.

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 Escolhi a Calça porque buscava uma alternativa à Bermuda, uma alternativa que me garantisse melhor proteção contra o sol (toda parada em um PC de alguma prova eu perdia algum tempo com a re-aplicação de protetor solar). Também buscava de alguma forma um pouco de proteção contra o frio que faz durante a noite e madrugada, sobretudo nos meses de inverno. Depois de pedalar algo como 300km numa prova de 400 por exemplo, você acumula algum desgaste, e por conta disto (além de outros fatores) tende a sentir mais frio do que sentiria se estivesse acabando de sair de casa, com as pernas frescas! Buscava ainda um forro um pouco melhor do que o das Bermudas que vinha usando (forro ou acolchoamento).

Então eu queria algo que, diferentemente da Bermuda, garantisse maior proteção contra a incidencia dos raios solares e do frio ou dos ventos “gelados” durante a noite e madrugada, (além de um forro/acolchoamento aprimorado) mas que fosse um pacote único! Não atendiam meus anseios as soluções que trouxessem peso, volume ou trabalho extra (levar um pernito ou uma calça numa mochila ou alforge por ex.). O que me veio à mente foi algo muito simples: Calça para ciclismo!

Meus amigos perguntavam: “Calça?”, “Embaixo deste nosso Sol quente…”, “Não vais fritar em baixo do sol?”, “Não vais “cozinhar” lá dentro?”, “Não é muito quente?”.

Eu respondia algo como: “Acho que não, tem muito tecido aprimorado no mercado, e vejo alguns velhos lobos da estrada usando estas calças, mesmo em regiões mais quentes do que onde vivo. São pessoas tão mais experientes que eu, não devem ter feito esta escolha à toa…”

A escolha pelo produto da Curtlo (poderia ser de qualquer outra marca, afinal de contas):

Bom, eu uso produtos desta marca há um bom tempo, os da linha vestuário que possuo e/ou possuí, normalmente me propiciam ou propiciaram excelente sensação ao toque, a costura é de primeira… É uma marca nacional que me encanta não só pela qualidade do que produzem, pronto!

Além disto, a Calça Vertigo havia acabado de ganhar novo forro, diferente dos das Bermudas desta mesma série, que eu vinha usando. Era um ponto a se considerar, poderia ter melhorado muito (ou não).

O forro da nova calça Vertigo II, da Curtlo.

O forro da nova calça Vertigo II, da Curtlo.

Recebido o produto:

Recebi o produto direto do fabricante, e se não me falha a memória isto foi na ultima semana de Fevereiro. No dia 03 de Maio eu participaria de uma prova com 300km de distancia, para ser percorrida em no máximo 20 horas. Queria ter esta questão da Calça resolvida até lá… Seria o “teste de fogo” para o produto.

Fiz 03 girinhos curtos, de 50km contínuos cada um, entre os dias 31/03 e 02/04. Foram dias quentes e só usei embaixo de sol. A ideia era começar apenas sentindo o produto, dando tempo ao corpo para que o percebesse, mas numa levada dia trás dia, sem grande descanso para a pele, e as sensações iniciais eram as melhores!

Um dia de descanso e mais 03 dias seguidos de 50km contínuos cada (estamos agora com 300km de uso). Lavei a calça neste dia de descanso. Lavagem muito fácil, secagem rápida, estou gostando loucamente.

Um dia de descanso (não lavei a calça desta vez) e agora mais 03 dias seguidos de 100km contínuos cada (somado aos dias anteriores estamos agora com 600km de uso). O produto não fede (milagrosamente? Ou o tecido Sanitized®, aplicado ao forro desta calça funciona pra valer?, não acredito muito em milagres…), e curiosamente não tem qualquer aspecto de suja ou surrada, está realmente nova ainda!

Das sensações e reflexões após os testes iniciais:

Quanta alegria saber que não estava “fritando” dentro do produto, que não trazia calor extra (não em minhas sensações), e que trazia efetivamente aquela proteção extra que buscava. Agora eu não aplicava e tampouco re-aplicava protetor solar nas pernas. Era um trabalho a menos, e mais tempo livre para fazer outras coisas nas paradas ou simplesmente sair mais cedo de um ponto de parada.

A sensação ao toque propiciada pelo tecido é das melhores, e do acabamento nem fala: um primor de construção! O tecido é composto de Poliamida (87%), responsável pela agradável sensação ao toque, pelo frescor, e por outras coisas que um especialista poderia dizer melhor, e Elastano (13%), é o que confere o caráter moldável do produto, sua elasticidade (pode ter outras funções também, não sei ao certo).

O Zíper na extremidade inferior da calça (tornozelo/canelas), é de primeira categoria (um YKK escohido a dedo pelo fabricante), abre e fecha de maneira quase performática eu diria. Facilita loucamente o vestir desta calça, bem como o despir.

Nesta extremidade do tornozelo, há um elástico (interno, sem contacto com a pele) que julgo na medida! Não aperta, não é frouxo demais, e dá o fechamento que você busca. Se tiver o tornozelo mais grosso, é possível abrir um pouquinho do zípper e está resolvido o problema. Não possui faixa de silicone ou algo do tipo em contacto com a pele, para evitar que a calça suba, o que me encanta muito! Adorei a ausência desta faixa de silicone ou borracha.

Na extremidade que envolve a cintura, temos elástico também na medida – em meu julgo – novamente interno, sem contacto com a pele, e fechamento por um cordão de primeira linha. É curioso alguém dar atenção aqui a um cordão de fechamento, um detalhe tão pequeno, irrelevante para alguns… De qualquer maneira, o cordão é muito bom, também escolhido à dedo (parabéns pelos detalhes Curtlo).

Dois pequenos bolsos estão dispostos de maneira estratégica, um em cada coxa. Pode-se colocar alí alguns sachês de carbohidrato em gel se você usa, ou algumas barrinhas de cereal ou coisa que o valha… Também pode-se colocar alí uma carta de rota, em tamanho reduzido e plastificada de preferência. Eu cheguei a colocar o celular em um momento ou outro em um destes bolsos (não recomendo longo tempo de permanência de eletrônicos nestes bolsos, tem muito calor e transporte de umidade envolvidos aqui).

O logo na parte anterior da calça é refletivo, e grande (o que durante à noite é um trunfo, um coringa, se não for coberto pela camiseta, corta-vento ou mochila, claro). Fica bem visível uma vez vestida a calça. O logo no bolsinho da perna esquerda é bem mais discreto, mas ainda refletivo.

E por fim o forro ou acolchoamento: Melhorou um bocado com relação ao forro anterior, está melhor em todos os sentidos, embora eu acredite que pode melhorar um pouco ainda. Para distancias abaixo de 300km me saiu uma maravilha, a solução de meus problemas. Após a faixa dos 300km, ainda me saiu um bom forro, mas ficou a impressão de que precisamos de algo ainda melhor para superar sem maiores desconfortos esta marca kilométrica.

O teste de fogo:

Brevet Audax BRM 300, conhecido como Audax 300. Participei de uma prova destas em Holambra-SP, realizada no dia 03/05/2014, organizada pelo clube Audax Randonneurs SP.

Foram 300,8km que percorri em 17h:50m corridos, 4 paradas em PC’s, sol à pino durante o dia e uma noite que fez muita gente reclamar de frio, sobretudo nas baixadas e descidas.

A proteção contra incidência dos raios solares foi perfeita, e o único pedacinho ou centímetro de perna que a calça não cobria junto ao tornozelo era protegido pela meia (cano curto). Definitivamente não passei calor por conta da calça, e agradecia dentro de minha cabeça em cada uma das paradas por não ter que re-aplicar protetor solar. Agradecia também por não ter cristais de areia e solo “grudados” à pele, aglutinados pela mistura de protetor solar e suor.

Durante à noite, foi muito simples perceber que com menor área de pele exposta às intempéries, o conforto térmico era maior (é o obvio, mas nem sempre considerado, não por todos). Nas baixadas, fundos de vales, bem como nas descidas, os joelhos não enregelavam-se (como me ocorria neste cenário, usando bermudas), estavam a final de contas protegidos agora, a calça mantém um bocado do calor produzido pelo corpo, ainda que não seja projetada exatamente para isto (para a função de retenção do calor existe o base-layer ou segunda-pele), ou no mínimo, retardam a troca termica.

O forro funcionou bem! A pele na região das nádegas, bem como virilhas, não sofreu muito. Fiquei muito feliz e/ou satisfeito com a performance do produto.

Teste de fogo 2:

Sim, houve um segundo teste de fogo: O Brevet Audax BRM 400, conhecido popularmente como Audax 400km. Novamente em Holambra-SP, realizado no dia 14/06/2014, pelo clube Audax Randonneurs SP. Concluímos (eu e a calça) os 400km em 23h:26m: manhã, tarde, noite, madrugada e manhã pedalando continuamente.

Dia completamente ensolarado, embora não fosse possível chamar de Sol à pino, e noite um pouco fria. A calça foi só elogios meus em todo este período, e somente me coloquei a pensar sobre o forro depois de 300km percorridos nesta prova ultima.

Considerações finais:

  • Foram 1300km rodados (400 + 300 + 300/3 dias + 150/3 dias + 150/3 dias);
  • Sensação ao toque; conforto; resistência; durabilidade; absorção da umidade/suor; usabilidade; facilidade para limpeza, conservação e trato; materiais utilizados na construção; os pequenos detalhes; a concepção do produto: Nota 10!
  • O Forro ou Acolchoamento: Nota 9,5 (porque acredito que para LONGA DISTÂNCIA, pode melhorar um pouquinho, talvez.
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Mosquetões, manutenção

Este post é sequencia de Mosquetões, o que são?Mosquetões, um pouco de HistóriaMosquetões, escolhendo o mais adequado. Quero lembrar, se você não leu os anteriores desta série, que trata-se de uma transcrição do original, publicado por Danilo Allegrini na antiga página institucional da loja Empório Aventura.

MOSQUETÕES – Manutenção

limpeza

Limpe o corpo do mosquetão com um pano limpo, evitando sempre o uso de químicos fortes. Embora produtos de limpeza como a “pasta cristal” ou a “pasta rosa” deixem uma peça usada mais brilhante, eles agem meramente como um polidor, não se diferenciando, em função, de uma palha de aço. Seu uso não estraga a peça no curto prazo, mas pode acumular limalha e outras sujeiras na articulação e na mola, diminuindo a eficiência do mosquetão.

Quanto ao gatilho, limpe-o soprando para fora a poeira e a sujeira da área da articulação com o corpo do mosquetão. Se a articulação estiver mais dura do que o habitual, uma limpeza mais profunda se faz necessária; lave o gatilho em água morna com sabão, enxaguando abundamente – abra e feche o gatilho repetidas vezes. Seque o conjunto cuidadosamente e lubrifique-o.

Quando se limpa um mosquetão com trava, deve-se girar cuidadosamente a trava dentro d’água somente após certificar-se que não há grãos de areia em seu interior – a não observação desse cuidado pode danificar permanentemente qualquer trava.

lubrificação

Lubrifique a articulação e a mola preferencialmente com lubrificantes sólidos, como o grafite. Limpe o excesso de lubrificante após a aplicação.

Note que lubrificantes líquidos como o óleo de máquina e o WD40 podem ser utilizados, mas apresentam o inconveniente de fazer com que poeira e outras sujeiras grudem mais facilmente na articulação e na mola. Por essa razão, devem ser evitados se possível.

Para mosquetões com trava, uma vez com essa limpa, um pouco de grafite pode tornar a sua operação mais fácil. Mosquetões com trava automática precisam ser lubrificados também na mola que faz com que a trava “gire”.

Sempre limpe e lubrifique os seus mosquetões após contato com a água salgada ou o ar marinho. Mosquetões polidos podem apresentar manchas no corpo após contato com a água salgada e seus gatilhos podem travar por excesso de óxido de alumínio na articulação.

O mesmo é válido para o contato com água calcária, com o agravante de que pode haver deposição de carbonato de cálcio na mola e articulação se a exposição for longa o suficiente.

inspeção

Verifique regularmente seus mosquetões, procurando sempre por rachaduras ou sinais de corrosão. Rachaduras devem ser procuradas sempre após o mosquetão segurar uma queda mais severa. Corrosão não é incomum em mosquetões abandonados em cavernas por períodos prolongados.

Tenha certeza que o gatilho abre e fecha normalmente, de maneira “macia” e sem travar . Se este não estiver operando normalmente mesmo após uma cuidadosa limpeza, ou se estiver torto ou amassado, aposente a peça.

Para mosquetões com trava, inspecione sempre o estado da rosca, certificando-se que a trava rosqueia (ou fecha-se automaticamente) de maneira adequada. Se a trava estiver solta do curso da rosca, aposente a peça imediatamente.

Mosquetões que sofreram um queda de uma altura significativa ou que foram danificados durante o uso também devem ser aposentados.

guardando…

Mantenha seus mosquetões guardados em local protegido de ar úmido ou salino, equipamento ou roupas molhadas e corrosivos.

em tempo…

Mantenha sempre seus mosquetões limpos e livres das rebarbas causadas por abrasão, que podem danificar a corda e colocar a sua atividade dentro de um padrão desnecessário de risco.

Para reduzir ou arredondar as pontas, utilize lixas para metal, com granulação entre 220 e 400. Se as pontas não forem satisfatoriamente removidas após essa tarefa, aposente o mosquetão. Ele é sempre mais barato que a corda e muito mais barato que uma vida.

Nunca lime um mosquetão por qualquer motivo – isso pode enfraquecer a peça além do aceitável.

Danilo Allegrini

*esse texto pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte e o autor.

Mosquetões, escolhendo o mais adequado

Este post é sequencia de Mosquetões, o que são? e Mosquetões, um pouco de História. Quero lembrar, se você não leu os anteriores desta série, que trata-se de uma transcrição do original, publicado por Danilo Allegrini na antiga página institucional da loja Empório Aventura.

MOSQUETÕES – escolhendo o mais adequado

#1: considerando as opções de formato

Oval – o mosquetão oval é o formato original, isso é, foi o primeiro a surgir. Normalmente, são mais baratos que os seus “primos ricos”, porém são ligeiramente mais pesados e também apresentam uma resistência reduzida ao longo do eixo maior.

 

Entender essa redução de resistência apesar do diâmetro de alumínio ser sempre o maior é fácil – o culpado é o gatilho! O gatilho é a parte mais frágil do “sistema” mosquetão e o formato do mosquetão oval divide a carga entre as duas laterais paralelas ao eixo maior. São, por isso, chamados de mosquetões centralizadores.

Vale ainda acrescentar que há dois tipos de oval, o simétrico e o assimétrico. O primeiro é o clássico por excelência e o que apresenta a menor resistência; o segundo, mais moderno tem a resistência aumentada usando um ardil simples: concentrar a maior parte da carga próximo da “esspinha” do mosquetão, ou seja, a lateral que não tem o gatilho.

Os ovais têm uma outra característica importantíssima, que é a capacidade de posicionar a corda ou fita tracionada bem no centro da sua curvatura. Isso é muito desejável em ancoragens, sistemas de resgate e subida/descida, como veremos a seguir.

Os ovais prestam-se a uma infinidade de usos em praticamente todos os desdobramentos dos esportes de montanha. Em escalada em rocha, pode ser usado para clipar o equipamento de subida (jumar, punho) ou de emergência: prussik ou Machard; em Big Wall, usa-se muito com o equipamento de escalada móvel; em escalada artificial, é usado nas solteiras e estribos.

Indo para o lado da espeleologia, encontram uso nas ancoragens (afastando o nó da parede e diminuindo assim a abrasão da corda), nos equipamentos de descida e subida, além de ser largamente utilizado um mosquetão oval de aço como freio extra de descida.

Há ainda importantes aplicações de resgate e auto-resgate, onde o uso combinado com polias e blocantes gera eficientes sistemas de içamento/descida.

“D simétrico” – o segundo na linha de evolução dos mosquetões, o formato D simétrico surgiu como um solução engenheirada para aumentar a resistência das peças sem aumentar seu tamanho e, conseqüentemente, seu peso. A idéia por trás desse projeto é deslocar as cargas de tração diretamente para a “espinha” do mosquetão (sua parte mais resistente), o mais longe possível do gatilho.

 

Os mosquetões desse tipo são largamente utilizados em atividades onde a preocupação com a resistência é uma constante, como o balonismo, usando-os para unir o envelope ao cesto ou mesmo em espeleologia, onde pode ser usado para prender o descensor à malha rápida da cadeirinha. Têm um largo número de adeptos entre os especialistas em atividades de resgate. Também são usados em conjunto com nuts e friends e para o lado da costura que se prende na ancoragem.

Por outro lado, há alguns poréns que o usuário deve ter em mente quando opta por esse formato para o montanhismo – o formato acaba encalacrando a fita no vértice, distribuindo assim a força de impacto de maneira inadequada, diminuindo a resistência da fita. Em ancoragens artificiais, com spit e chapeleta, o mosquetão coloca a corda muito próxima a parede, aumentando a abrasão e o risco.

Claramente, não são tão populares em montanhismo quanto já foram no passado, mas ainda têm os seus méritos e seus defensores ferrenhos.

“D assimétrico” – aqui se aplicam os mesmos princípios dos “Ds simétricos”, principalmente no tocante à resistência e estrutura. Porém, são significativamente menores em uma das extremidades para reduzir ainda mais o peso, sem perder o compromisso com a resistência.

 

Outra interessante característica, introduzida pela alteração no formato tradicional, é uma abertura maior de gatilho, tornando-os mais fáceis de clipar tanto na ancoragem quanto na corda. É, de longe, o formato de mosquetão de costura mais largamente utilizado e, para alguns, é o que vem à mente quando se fala em mosquetão.

Deve-se atentar, porém, para o fato que a redução de uma das extremidades limitou a “capacidade de volume da peça, isso é, ele não tem tanto espaço interno quanto um oval ou um “D simétrico”.

Pêra – esse formato é também chamado de HMS, que em alemão significa “HalbMastwurfSicherung” – segundo conhecedores da língua, isso basicamente quer dizer “nó dinâmico” ou o nosso bom e velho UIAA.

 

Bom, então como o nome já diz, um dos usos primários desses mosquetões é com o nó UIAA, tanto para uma descida em caso de emergência quanto para dar segurança ao companheiro. É fundamental conhecer e treinar o uso deste nó, pois ele pode salvar a sua pele no caso de perda do seu oito, atc ou qualquer outro aparelho de atrito.

Porém, ao se usar esse mosquetão com um UIAA, deve se atentar para que a corda ativa (ou de tração) esteja sempre saindo para o lado contrário ao gatilho (ou seja, o lado da “espinha” do mosquetão) – explicando: como já visto, o gatilho é a parte mais frágil do sistema.

Outra característica fantástica desse formato é que ele permite uma ancoragem com características multidirecionais e não apenas bi-dimensional, como acontece com os “D”s ou o bom e velho oval.

#2: considerando as opções de gatilho

Antes de mais nada, é bom lembrar que o gatilho é uma peça (também chamada de “portão”) composta de uma mola que permite uma fácil abertura quando empurrado e um fechamento automático quando liberado.

Ele pode ser tanto do tipo convencional, ou seja, composto do corpo do gatilho, da mola (normalmente aço inox), da lingueta (também de aço inox) e do rebite – ou o chamado “gatilho de arame”, fabricado em um arame de aço inox de grosso diâmetro. Nesse tipo, o que mais chama a atenção é o fato do gatilho ser composto por uma única peça.

Classicamente, classificam-se nos seguintes tipos:

  • reto – os gatilhos retos são os mais comuns e aqueles que serão encontrados em todos os mosquetões ovais, pêras, “D”s simétricos e também nos mosquetões com trava. A sua característica distintiva (e óbvia) é que são perfeitamente retos desde uma ponta até a outra.

Esse tipo de gatilho encontra múltiplos usos, dentre os quais destacam-se o uso em costuras (sempre preso ao grampo ou chapeleta), em auto-seguros (ou solteiras) de espeleo e canyoning, em escalada artificial e sempre que se precisa pendurar algum equipamento.

  • curvo – os gatilhos desse tipo têm um design côncavos, que facilita muito clipá-los à corda, tanto pelo formato em si quanto pela maior abertura proporcionada.

É importante saber que o desenho curvo do gatilho não afeta de maneira significativa a resistência ou o peso da peça.

Mais importante ainda é saber que se ele for costurado de maneira inadequada, a corda pode se soltar e agravar em muito a queda. Portanto, como qualquer outro tipo de equipamento de montanhismo, deve-se dedicar o tempo e a paciência necessários aprender a utilizá-lo corretamente.

ATENÇÃO: os mosquetões de gatilho curvo (ou, carinhosamente, mosquetões curvos) sempre devem ser utilizados em conjunto com uma fita expressa ou um anel e só devem ser clipados na corda. Nunca clipe um deles diretamente na ancoragem – quando sujeitos a uma carga dinâmica (por exemplo, a queda de um guia), há uma chance aumentada de que se soltem e agravem a queda.

  • gatilho-de-arame – são também chamados de “wire” e utilizam um loop de aço inox como gatilho. Esse loop atua também como uma mola e isso reduz o peso do mosquetão e elimina a necessidade de peças extras para retornar o gatilho à posição “fechado”.

Embora ainda sejam olhados com uma certa desconfiança por uma boa parcela dos escaladores brasileiros (e do resto do mundo também), esse tipo de design merece créditos, pois apresentam várias soluções excelentes:

  • menor peso;
  • risco reduzido da mola “travar”;
  • menos peças e, portanto, menos pontos prováveis de falha;
  • resistência igual ou maior do que os mosquetões com gatilho convencional;
  • risco reduzido do mosquetão se abrir durante a queda, pois a massa do gatilho é menor e, portanto, esse vibra menos. Mas não deve-se esquecer que apesar de serem peças excelentes, quando tracionados transversalmente, começam a se deformar antes, apesar de terem uma resistência transversal (eixo menor) aumentada.

 Pois bem, na próxima vez que estiver passeando pela sua loja favorita ou escalando com alguém que tenha uma costura desse tipo, olhe-a melhor e dê uma chance para que ela possa tornar sua escalada ainda mais segura

  • trava – mosquetões com trava, como diz o nome, podem travar o gatilho de forma que ele permaneça fechado mesmo quando pressionado para abrir. Assim, fica criada uma melhor proteção contra a abertura acidental.

Os formatos dos mosquetões com trava são os mais variados possíveis, sendo os mais comuns ovais, “D”s, “D”s assimétricos ou pêras. Já os tipos de trava variam desde roscas simples até mecanismos automáticos, acionados por uma mola, com uma ou duas travas, etc.

Seu uso é exigido toda vez que se depende de um único mosquetão para segurança, como durante o rappel, na ancoragem, na primeira costura da via ou quando há uma distância muito grande entre uma costura e a seguinte. Há aqueles que os preferem também na solteira, no equipamento de subida e em uma enormidade de outras situações.

Não são recomendáveis para uso diretamente para escalada em gelo, pois o risco de congelarem é bastante grande. Para esse tipo de uso, é necessária a lubrificação com óleos especiais tanto na rosca quanto na mola.

#3: acabamento

Há dois tipos de acabamento para mosquetões de alumínio – anodizado e polido.

O acabamento polido é o mais barato e é o encontrado nos mosquetões mais econômicos de cada linha. A peça é polida ao brilho após a forja e o alumínio reage com o oxigênio do ar, formando uma fina camada de óxido de alumínio, que lhe dará a proteção final. Embora barato e uma excelente opção para quem precisa de muitas peças a um custo razoável, o acabamento polido não é adequado para regiões salinas.

Já na anodização, um processo onde o coating (a cobertura) é uma parte do próprio metal e não uma camada a parte (como tinta), a superfície do alumínio é endurecida e fortalecida a um grau não atingido por nenhum outro processo. São agregados pigmentos coloridos ap acabamento anodizado para fins estéticos e de função.

A grande vantagem dos anodizados é a durabilidade, pois o mosquetão fica mais protegido da corrosão e da abrasão.

#4: Finalizando…

Uma vez considerados formato do mosquetão e do gatilho, há alguns outros fatores que devem ser levados em conta:

  • peso – pessoas normais preferem ter que carregar o mínimo de peso possível, seja durante a ascensão ou mesmo na trilha para se chegar ao lugar desejado.

Tenha em mente, portanto, as diferenças entre o aço e o alumínio nesses casos e procure utilizar o mais adequado a cada situação – nem sempre se precisa de um mosquetão de aço para 50kN e nem sempre um mosquetão de 22kN é o mais adequado. Saber avaliar o que, quando e onde é fruto de treinamento, experiência e muitas horas de conversas com pessoas mais experientes.

Mais ainda, há uma crescente tendência a se utilizar mosquetões de menor peso e tamanho. É muito importante salientar que mosquetões mais lever são fabricados, normalmente, com um diâmetro menor e têm, assim, menor vida útil, menor resistência com o gatilho aberto e costumam causar um maior desgaste da corda – os espaços menores e mais estreitos podem “morder” a corda.

  • tamanho – assim como peso, deve se ter em mente as diferenças entre mosquetões grandes e pequenos, pois encontrar a ferramenta mais adequada ao uso vai diminuir muito as dores de cabeça durante a atividade.

 Os mosquetões menores são mais leves e ocupam menos espaço no rack, parecendo portanto ser a opção óbvia. Porém, por serem menores são mais difíceis de se clipar, têm um menor espaço interno e não são tão fáceis de se manusear quanto os mosquetões maiores. Portanto, lembre-se sempre: ferramenta correta para a tarefa também é fator de segurança.

  • resistência – como já vimos, o mosquetão é projetado para suportar cargas ao longo da sua “espinha”, com o gatilho fechado. Todos os mosquetões certificados CE e/ou UIAA agüentam as cargas desenvolvidas durante a prática normal do montanhismo. Porém, podem se romper se forem tracionados de maneira incorreta – por exemplo, ao longo do eixo menor ou com o gatilho aberto.

 Depois de se ter tido uma noção geral do que existe e para que serve cada tipo, dê um pulo na sua loja predileta e gaste algumas horas do seu tempo por lá. Olhe bem a seleção de mosquetões disponíveis procurando imaginar se ele é adequado para as situações que você costuma enfrentar e não hesite em consultar o lojista – em lojas boas, ele costuma ser um montanhista experiente e, assim como nós, apaixonado por equipamento.

 Lembre-se, para finalizar, que nada, nenhuma palavra escrita, substitui um treinamento sólido e o embasamento que a experiência vai lhe trazer – leia muito, aprenda muito, pois o montanhismo é um eterno aprendizado, mas saia da sua cadeira e vá lá pra fora, pois é treinando e fazendo que se solidifica o que se lê e se ouve.

Danilo Allegrini

*esse texto pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte e o autor.

Mosquetões, um pouco de História

Este post é uma sequência de “Mosquetões – O que são?“, publicado aqui mesmo, como transcrição do original escrito e publicado por Danilo Allegrini na “seção técnica” da antiga página institucional da loja Empório Aventura.

MOSQUETÕES – Um pouco de história

Credita-se a sua invenção aos bombeiros de Munique (München), no sul da Alemanha, pois já os usavam em 1860.

A sua migração do universo de resgate para a montanha é freqüentemente associada ao alemão Otto Herzog, autor de várias vias extremas nos anos 20.

O francês Pierre Allain, um dos mais importantes nomes da história mundial da escalada, foi o primeiro a fabricar os mosquetões usando uma liga de alumínio, em 1939 – foram comercialmente introduzidos apenas uma década depois.

Mosquetões Pierre Allain. Crédito: Nutstory, Fonte: http://www.supertopo.com/climbing/thread.php?topic_id=561850&tn=0

Mosquetões Pierre Allain. Crédito: Nutstory, Fonte: http://www.supertopo.com/climbing/thread.php?topic_id=561850&tn=0

Nos anos 70, surge a costura composta de uma fita e dois mosquetões – até então era comum unir a corda diretamente à ancoragem, através de um único mosquetão.

Não, elas não eram modernas assim naquele tempo!

Nos anos 90, os mosquetões leves, de cerca de 40g, perdem a certificação UIAA, pois rompem-se quando sofridos determinados golpes. Porém, deve-se sempre ter em mente que as recomendações da UIAA, embora desejáveis, não têm nenhum valor legal.

Danilo Allegrini

*esse texto pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte e o autor

Mosquetões – O que são?

Este post é da série dedicada a falar um pouco sobre equipamentos para atividades ao ar livre, ou atividades de aventura. Neste caso específico vamos falar sobre mosquetões. De uma forma bem resumida, na verdade estou apenas transcrevendo um artigo do amigo Danilo Allegrini, publicado na antiga página institucional da Empório Aventura, e também na página do antigo importador das marcas Lucky e Edelrid (a primeira é Espanhola, extinta, e a segunda, Alemã) para o Brasil, a OT Import.

O Danilo havia publicado quatro artigos sobre o tema, e após sua autorização estou transcrevendo-os aqui, na integra. As raras alterações nos artigos desta série foram autorizadas pelo autor e basicamente consistem em alguma ilustração.

O QUE SÃO MOSQUETÕES?

Mosquetões são conectores metálicos leves, usados por montanhistas (escaladores, canyonistas, espeleólogos e outros) para uma enorme variedade de funções.

Ilustrando alguns tipos de mosquetões

Alguns modelos da renomada fabricante italiana CAMP, para fins de mera ilustração. fonte: http://www.camp-usa.com/products/categories/camp-carabiners-quicklinks.asp

Simplificando:

Os mosquetões existem para conectar “coisas” – seja um escalador à corda, a corda à uma proteção, uma série de peças à cadeirinha ou a corda à ancoragem.

São peças extremamente resistentes, pois precisam tolerar forças extremas, como no caso de uma queda de guia. São, por outro lado, leves, assim um montanhista pode carregar muitos deles sem que o peso influencie em sua progressão.

Tarefas diferentes exigem tipos diferentes de mosquetões. As variáveis que tipicamente distinguem os estilos incluem formato, tipo de gatilho, resistência, peso e tamanho. Entender as diferenças entre cada um dos tipos é fundamental para uma escolha adequada e segura.

Danilo Allegrini

*esse texto pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte e o autor.

Tarp Oca e Rede Kampa – Infográfico

Buenas;

Pessoal, o Lex Blagus, do blogus, o blog das aventuras do Blagus, que é um daqueles “outsiders” que muitos de nós gostariamos de ser, projetou e subiu para seu blog um infográfico maravilhoso, versando sobre a utilização das redes e toldos para acampamento. Mais precisamente, este infográfico ilustra seu post anterior sobre os produtos Tarp Oca e Rede Adventure, da renomada marca Kampa.

Agora é só aproveitar os sábios conselhos, e aplicar na próxima vez que você levar seus produtos Kampa para um passeio.

Dicas de uso para redes e toldos em acampamento, fonte original: http://blog.blag.us/infografico-rede/

Novos Brinquedinhos – Mochila Curtlo Trail Lite 14L

Buenas;

Pessoal, há algum tempo adquiri uma nova mochila, Curtlo, e apesar da vontade imediata de falar aqui sobre a danada, nunca o fiz! Então dedico aqui um post rápido, apenas para compartilhar minha alegria e satisfação em poder brincar agora com esta “obra de arte”! Um primor de mochila, como tem se revelado.

Estou falando da Trail Lite 14L, você pode ver mais detalhes clicando aqui acessando direto o site da marca. Ou pode ir direto à fonte e ver ou comprar a danada em um dos postos de venda de produtos da marca, clicando aqui.

Fotos da referida, a danada, a dita cuja. Sim, isto mesmo, ela, ela mesmo, a própria, (leia isto como reportava Gil Gomes e deverá dar boas gargalhadas) minha nova ferramenta de auxílio para o transporte de badulaques no dia-a-dia ou passeios de curta duração:

A Mochila Trail Lite exibida na cor Vermelha, a que escolhi.

Bom, eu estou utilizando já fazem alguns meses, e a julgo muito leve e compacta, como era esperado. O costado é muito confortável e realmente “envolve” minhas costas. No final das contas uso tanto sobre a bicicleta, seja a caminho do trabalho ou a lazer, como também caminhando, no metrô, no ônibus, e não fica aquele trambolho nas costas, que incomoda todo mundo sabe… (quando o coletivo está mais cheio cabe um pouco de bom senso e a atitude de não levar às costas, claro).

Visão Lateral da menina

O porta-capacetes me tem sido bem útil, muito bem bolado, e fica escondidinho, não ocupa espaço ou faz volume, e quando você precisa dele, está lá, prontinho para ser usado.

Exibição do Porta-Capacete

A qualidade no acabamento, os materiais escolhidos – como tecidos, zíperes, puxadores dos zíperes – as cores, e as dimensões, me fazem tirar o chapéu para a Curtlo, mais uma vez! (Ei Curtlo, se estiverem lendo isto, saibam que estão de parabéns. Acertaram a mão! – Ah, estou aberto a patrocínios também, rsrsrs).

É isto, eu estou bastante feliz com a danada.

Um grande abraço à todos.