Audax 200 – Cristalina-GO – Série 2011

Amigos, este é outro daqueles posts mórbidos, que eu invento de escrever anos depois do ocorrido, mas que por um motivo ou outro resolvi fazer. Quem sabe não me animo e falo das experiencias de toda a série 2011 AUDAX (nesta série completei também o 300, 400 e participei do 600).

Bom, você pode saber um pouquinho mais sobre meus “preparativos” para esta prova neste outro post aqui. E se tiver algum interesse sobre o que eu pensava sobre equipamentos necessários na época, pode ver também este outro tosquíssimo post aqui.

Eu soube da prova através de um grupo de discussões no YahooGrupos, cito o “Ciclismo de Longa Distância“, organizado pelo pessoal de Brasília e Planalto Central. A prova seria/foi realizada na cidade de Cristalina, Estado de Goiás, pelo Clube Randoneiro Cristal, em 07 de Novembro de 2010, mas válida pela série 2011. Oras, que diabos você quer dizer com uma “série”? Uma série Audax Super Randonneur compreende as provas de 200, 300, 400 e 600km, realizadas dentro de um calendário anual (o calendário de alguns clubes já começa nos ultimos meses do ano anterior) .

Entende-se que a obtenção do brevet 200 é obrigatória para participação regular na prova de 300km, e que este segundo brevet habilita o candidato para participar da prova de 400km. Dito isto, entendemos que para um candidato a Super Randonneur é necessária obtenção dos brevets 200, 300 e 400, apenas para participar da prova de 600, e você terá de concluir também esta ultima, óbvio, para se tornar Super Randonneur! Era isto que eu tinha na cabeça naqueles dias. Pronto, falei!

Foi no já citado grupo de discussões que conheci o Marcos Furtado, de Brasília-DF, quem junto à sua família me recebeu e hospedou tão carinhosa e fraternalmente. Marcos, se estiver lendo isto, agradeço uma vez mais, a ti e toda a família!

O dia 07 amanheceu sob chuva, e ainda muito cedo saímos de Brasília rumo Cristalina (o Marcos ainda pegou o Guilherme Kardel no caminho, que também fez a prova). Fizemos um rápido café da manhã em algum posto na rodovia, e a chuva já era apenas leve garoa.

Às 07:00h da manhã foi dada largada em frente ao Hotel Goyaz. Me recordo de uma levíssima garoa e tempo nublado, e eu havia tomado a decisão de sair sem qualquer proteção contra ventos ou água. Minha ideia era pedalar molhado mesmo, se fizesse chuva, decisão que poderia ter me custado bem “caro”, se o tempo não melhorasse. Um corta-vento / jaqueta corta-vento teria sido uma boa pedida. (me lembro também de uma energia muito boa entre os ciclões alinhados na linha de largada).

Os primeiros 30km de prova tinham como relevo uma suave descida, bastante contínua, que seria subida no retorno. Você pode encontrar o mapa e gráfico de altimetria do percurso clicando aqui. Percorreríamos 100km até Campo Alegre, saindo de Cristalina (ok, eu já disse isto) e depois retornaríamos pelo mesmo caminho. Dada a largada, fui tomado por um frenesi de euforia, e talvez uma dose de ansiedade também, resolvendo acompanhar a ponta do pelotão, que se movia a toda velocidade.

Mas um AUDAX normalmente tem disto mesmo, tem gente que irá sair mais veloz, tem gente que sairá mais lento, e os iniciantes tendem a sair veloz, tentando acompanhar a ponta do pelotão… O relevo favorecia uma média de velocidade alta, a minha estava um bocado acima dos 30km/h, e isto me custaria um pouco caro lá na frente.

Concluída a descida de 30km, minha salvação: Pneu furado! Ok, eu poderia ficar bem chateado com este furo, pois iria pulverizar toda a média de velocidade que havia construído, fazendo esforço na descida quando poderia ter simplesmente deixado-me levar… Mas o ponto aqui é o seguinte: Parar para substituir a câmara de ar me fez acalmar um pouco. Eu via todo mundo me ultrapassando (não sem antes perguntarem se estava tudo bem, se precisava de algo) e ficou muito claro na minha cabeça que continuar naquele ritmo tão forte, não me seria proveitoso (EU não tinha pernas para aquilo).

Câmara de ar substituída rapidinho, seguí em frente, agora em ritmo um pouco mais moderado, mas ainda um pouco veloz, ainda um pouco ansioso. Passava pela cabeça vez ou outra: “perdi bastante tempo, muita gente me ultrapassou”, “preciso recuperar um pouco deste tempo, acelere só um pouquinho”. E à medida que avançava via mais gente na beira do acostamento, pneu furado, claro! Perguntava se precisavam de algo, se tinham tudo o que precisavam, e todo mundo também estava bem preparado para os furos.

Logo chegamos na casa dos 50km de prova, com um belo posto de combustível e parada para alimentação, banheiro, descanso e tal… Não me lembro se parei alí ou não, mas se o fiz, sei que foi exageradamente rápido.

Eu tinha meu foco na faixa dos 100km, então na minha cabeça só faltava a metade do caminho, porque o restante depois dos 100 seria apenas o que chamo de “voltar para casa, de bike, claro”. Já não havia mais aquela garoa fina ou spray d’água há algum tempo, estrada sequinha agora, e o tempo completamente nublado amenizava a temperatura (leia-se: tempo/clima divino! Eu não gosto de sol). Deste ponto para frente, eu realmente pedalei um pouco mais tranquilo, um pouco menos acelerado e fui curtindo cada vez mais o trecho. Ah como é bom pedalar no Cerrado!!!

Nelore, Braquiária, Aroeira, Piúvas, Mourão, Balancins… Se você entendeu estas palavras você estará “em casa” no cerrado! rsrsrs. Um pouco disto tudo em cada bordo da pista, e logo estava no PC1, a meta de 100km concluída. O PC era na beira da pista mesmo, sob uma bela árvore. O carro da organização, alguma fruta, algumas barrinhas de cereais, uma bomba de ar disponibilizada para quem precisasse, o bom e velho carimbo no passaporte (atestando que o atleta passou pelo PC no tempo X), é praticamente tudo o que me lembro. Aliás, me lembro de alguns ciclistas aproveitando a pausa para remendar câmaras de ar que furaram até chegar alí.

Eu optei por não descansar quase nada neste PC1, e segui viagem pouco depois. Haveria uma parada/restaurante junto a pista de retorno, alguns kilômetros à frente, onde poderia descansar um pouco melhor, mas isto já tem tanto tempo, que não me lembro se realmente parei para almoçar ou não. Sim, eu tinha umas ideias um pouco diferente da maioria humana, rsrsrs.

O retorno foi me custando cada vez mais caro, pedalando cada vez mais lento, mas sempre que olhava para o ciclocomputador ficava tranquilo, pois haveria MUITO tempo ainda pela frente, e à bem da verdade eu até que me arrastava bem, julgava eu.

Com 150km de prova, sim, em frente àquele posto dos 50km iniciais, lembra? Onde eu não me lembro se parei ou não quando estava na perna de IDA… Pois então, um corte no pneu e furo! Oras, não tinha lugar melhor para furar. Era um lugar onde iria parar mesmo, para descansar o mínimo que fosse, então atravessei a pista empurrando a bike e cheguei até a parada. Trocar uma ideia com alguns dos participantes que alí estavam, perceber que eu estava um bocado esgotado, fazer alguma besteira na troca da ultima câmara reserva que eu tinha e “perdê-la”, concluir que o rasgo do pneu era um bocado severo… Tudo isto fazia parte daquele momento. O Marcos chegou por alí, e acabou me emprestando um pneu reserva que ele tinha, e uma câmara de ar. Eu fiquei extremamente feliz e agradecido, mas instalado este novo pneu, percebi que não me serviria (já não me lembro o motivo, mas acho que também estava com um rasgo… não me lembro ao certo).

Depois de um belo tempinho de apreensão de minha parte, resolvi aplicar um manchão no interior de meu pneu mesmo, deixar a calibragem um bocado baixa foi necessário para que a pressão não abrisse ainda mais o rasgo, e pude seguir em frente, agora mais lento que nunca.

Mudança de ritmo por conta do problema no pneu e dores no joelho direito se apresentaram imediatamente. É claro que estas dores só apareceram por causa do problema no pneu, eu nem devia estar desgastado por conta de 150km de pedal e um bocado de tempo pedalando acima do ritmo “ideal” não é? Pedalando cada vez mais lento, e agora sempre que eu olhava o ciclocomputador não pensava mais que ainda tinha MUITO tempo a meu favor…

Com um bocadinho de dores no joelho comecei os 30km finais (subidinha leve e contínua, se lembram dela no começo da prova, não?). As dores no joelho direito só fizeram aumentar, ao ponto de se tornarem crônicas, e eu resolver pedalar exclusivamente com a perna esquerda. Desclipei o pé direito e deixei a perna toda solta, livre do pedal, mas não deu nada certo, a posição de perna morta pendurada me fazia ter uns ataques súbitos de dores lascinantes (sim, ao ponto de gritar, depois de olhar para os lados e me certificar de que ninguém estaria escutando aquilo). Tive de retornar o conjunto pé-perna direito(a) ao pedal clipless e seguir tocando da forma que fosse possível.

10km rodados nesta situação e o quadro ficou terrível, eu pensava por alguns instantes em descer da bike e me esconder na pastagem ao bordo do acostamento, para ficar rolando, deitado, de um lado a outro tamanha dor que sentia, sempre acompanhada de algum “grito” tipo “Aaaiiii”. Que cena Dantesca!

Parei por um instante a fim de me alongar um pouco, esfriar o mínimo que fosse ó flagelado joelho, e poder tocar os 20km finais. Subi novamente na bike e por um minuto fui tomado por sólida ilusão de que aquilo tinha resolvido meu problema. O Joelho já não sofria dos ataques de dor lascinante. Talvez 1km rodado e adivinhem quem chegou? Claro, ela, ela mesmo, a dor, ahahahah.

Restou-me finalizar estes 20km com dores, agradecendo ao “papai-do-céu” cada um dos kms finalizados, um por um.

Concluí a prova com 11:05h, dentro do tempo regulamentar, que seriam 13:30h. Muito feliz, realizado. Mas passei uns 3 dias mancando, depois tudo melhorou loucamente.

Alguns números da prova:

  • 93 Inscritos;
  • 80 Compareceram/Largaram;
  • 79 Brevetaram/Concluiram dentro do tempo regulamentar;
  • 98,75% de aproveitamento.

Os Organizadores:

  • Pr. Eberte – Na época Presidente do Clube de Ciclismo Randoneiro Cristal;
  • Osvaldo e Jander – Na época Diretores de provas do Clube de Ciclismo Randoneiro Cristal;
  • Laerte – Na época Secretário do Clube de Ciclismo Randoneiro Cristal;

Os Voluntários:

  • Osvaldo Júnior, Filipe, Clóvis, Bruno – Apoio motorizado.

Um pouco daquilo que usei na ocasião:

  • Trek 1.5 2009~2010 (Pneu traseiro Continental Ultra Sport);
  • Pedal Clipless e Sapatilha de MTB Shimano (bem básicos, modelos de entrada);
  • Bermuda Force, Curtlo;
  • Camisa de Ciclismo Manga Longa, Curtlo;
  • Mala Bike e Mala Roda, Curtlo (protegeram muito bem a bike na viagem de avião até Brasília);
  • Bolsa de Selim, Curtlo;
  • Colete Evidence, Curtlo;

Deixo aqui registrado meus mais sinceros agradecimentos à Tutto Bike, que me apoiou muito, ainda que de forma quase “invisível”. Talvez eles nem saibam o quão importante foi seu apoio. É à Tutto Bike que confio a manutenção e revisão de minha bicicleta, e é lá que a adquiri, contando com o suporte técnico deles para sua escolha, tira dúvidas e tal… Tutto Bikes, se estiverem lendo isto, muito obrigado!

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